VIOLÊNCIA E MANIPULAÇÃO – A TRANSFORMAÇÃO DO AMOR

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Não podemos ignorar que a sexualidade, muitas vezes se despersonaliza e se torna cada vez mais ocasião e instrumento de afirmação do próprio eu e de uma satisfação egoísta dos próprios desejos e instintos. Atualmente, corre também o risco de ser dominado pelo espírito venenoso do “usa e joga fora”. O corpo do outro é manipulado como algo que se conserva enquanto proporciona satisfação, e se despreza quando se perde o atrativo, com prepotência, abuso, perversão e violência sexual, distorcendo o significado da sexualidade. São João Paulo II explica que: O amor exclui todo o gênero de submissão pelo qual a mulher se torne serva ou escrava do marido. O texto bíblico “Sede submissos uns aos outros”(Ef. 5,21) convida aos esposos,a superar o individualismo para viverem disponíveis uns aos outros,  com características de fidelidade, respeito e solicitude.

Lembremo-nos também que o amor verdadeiro também sabe dar e receber do outro com gratidão sincera e feliz todas as expressões corporais do amor na carícia, no abraço, no beijo e na união sexual. Bento XVI era claro a este respeito: “Se o homem aspira a ser somente espírito e quer rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, então espírito e corpo perdem a sua dignidade”. Por esta razão, “o homem também não pode viver exclusivamente no amor ablativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebe-lo em dom”.

Muitas pessoas que vivem sem casar dedicam-se à sua família, prestam serviços aos amigos, na comunidade eclesial, na vida profissional, colocam seus talentos a serviço da comunidade cristã em sinal de caridade e do voluntariado. Outras não se casam porque consagram a vida por amor a Cristo e aos irmãos. A virgindade é uma forma de amor. É um reflexo da plenitude do céu onde não haverá homens e mulheres casando-se (Mt 22, 30). São Paulo recomenda-se a virgindade porque esperava para breve o regresso de Jesus Cristo e queria que todos se concentrassem apenas na evangelização. Mas era um desejo dele, não uma exigência de Cristo: “Não tenho nenhum mandamento do Senhor” (1Cor7,7). Ao mesmo tempo reconhecia o valor de ambas as vocações. Cada um recebe de Deus um dom particular: A família é reflexo da Trindade, um sinal cristológico que mostra a proximidadede Deus unindo ao ser humano, na Encarnação, na Cruz e na Ressurreição. A virgindade, o celibato é um sinal escatológico de Cristo Ressuscitado.São modalidades diferentes de amar porque o homem não pode viver sem amor.

Devido ao alongamento da vida, torna-se necessário que se renove repetidas vezes a recíproca escolha. Uma renovação do matrimônio. Talvez o cônjuge já não esteja tão apaixonado, com o mesmo desejo sexual, mas sente o prazer de saber que não está só, de ter um “cúmplice” que conhece tudo de suas vidas e tudo partilha. Isso gera satisfação. Deve-se manter viva, dia a dia, a decisão de amar, de se pertencer, de perdoar-se e continuar a partilhar a vida.

Na história de um casal, a aparência muda, mas não é motivo para que a atração amorosa diminua. Quando já não se pode reconhecer a beleza um do outro, o cônjuge deve ser capaz de ver um ao outro com o instinto do amor e o carinho não desaparece. É este o caminho a seguir,mas  isso só será possível se invocarmos o Espírito Santo pedindo-lhe a graça de derramar o seu fogo sobre o nosso amor e fortalecê-lo, orientá-lo e transformá-losempre em cada nova situação.