O EVANGELHO DE SÃO MARCOS

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

 

LEMBRETES SOBRE O EVANGELHO DE SÃO MARCOS.

Para que se possam ler os quatro Evangelhos aos domingos nas missas durante o ano, sem omissões e sem repetições, foram criados os anos A, B e C.

No Ano A lê-se o evangelho de Mateus.

No ano B lê-se o evangelho de Marcos.

No ano A lê-se o evangelho de Lucas.

O ano litúrgico tem início, em novembro, após a festa de Cristo Rei e não em janeiro.O ano litúrgico, ano B, de 2018, teve início no dia 30 de novembro de 2017. O ano B vai terminar igualmente 30 de novembro de 2018, quando terá início o Ano C.

 

MATEUS: O Evangelho de Mateus é lido nos dias de semana do Tempo comum, desde a segunda feira da décima semana do Tempo comum até a vigésima segunda semana do tempo comum.

 

LUCAS: O Evangelho de Lucas é lido nos dias de semana do Tempo comum desde a segunda feira da vigésima terceira semana do tempo comum até a trigésima terceira ou quarta do tempo comum.

O Evangelho de João é lido nos três anos, A, B e C, mais especialmente no ano B, no tempo do natal e da páscoa.

 

MARCOS: O Evangelho de Marcos é lido nos dias de semana do Tempo comum, desde a segunda feira da primeira semana do Tempo comum até a nona semana do tempo comum.

 

O NOVO TESTAMENTO = NOVA ALIANÇA

O Novo Testamento contém os escritos inspirados por Deus, depois de Jesus Cristo. É formado por vinte e sete livros. Os livros do Novo Testamento começaram a surgir apenas cerca de 30 anos depois de Jesus. Jesus não escreveu suas mensagens e feitos. O Messias apenas viveu, conviveu, ensinou, curou, sofreu pela maldade dos homens e venceu a morte, e continua vivo, ressuscitado, glorioso nas pessoas de boa vontade nos sacramentos e na igreja. O primeiro livro do Novo Testamento, a ser escrito, é a Carta de Paulo aos Tessalonicenses – ano 52.

Antes dos Evangelhos, os primeiros escritos, depois de Jesus, surgiram espontaneamente nas comunidades. Foram chamados de “ditos de Jesus”, sentenças de Jesus. São vistos como apostilas geradas a partir das comunidades apostólicas. Desses ditos e de outras pesquisas, João Marcos, companheiro de Paulo e de Pedro, compilou o primeiro evangelho, a Boa Nova de Jesus, querendo provar que Jesus é mesmo o Filho de Deus – ano 65? O Evangelho de Marcos tem 16 capítulos e 678 versículos.

O Evangelho de Marcos tornou-se fonte de pesquisa para Mateus e Lucas. O trio, Mateus, Marcos e Lucas, escreveu o que chamamos de EVANGELHOS SINÓPTICOS.

 

ORIGENS DOS EVANGELHOS SINÓPTICOS

Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de sinópticos porque seus evangelhos são muito parecidos. Se forem transcritos numa tabela comparativa, ou sinopse, ou seja, ainda, sendo colocados em três colunas paralelas, os três textos irão coincidir, numa visão de conjunto, quase totalmente em suas narrações. Divergem em pontos secundários. Completam-se na teologia, no querigma e na mensagem central sobre Jesus, o Filho de Deus.

 

COINCIDÊNCIAS NOS SINÓPTICOS

O Evangelho de Mateus contém as mesmas matérias narrativas, na mesma ordem e com idênticas palavras de Marcos. Mateus é mais longo que Marcos. Marcos desconhece muitas sentenças e parábolas de Jesus. Lucas e Mateus se inspiraram em Marcos, de quem copiaram muitas ideias e narrações. Concluímos que ou Mateus acrescentou algo a Marcos, ou Marcos simplificou os escritos de Mateus.Marcos não narra em geral sentenças de Jesus nem muito menos o Sermão da Montanha. Certamente Mateus acrescentou às narrações de Marcos outras Tradições e narrações surgirão em várias comunidades cristãs nascentes. Somente Mateus e Lucas narram a infância de Jesus.

 

OS SINÓTICOS: MATEUS – MARCOS – LUCAS

Mateus e Lucas, ao elaborarem o seu Evangelho, devem ter se inspirado em Marcos para escrever a Boa Nova. Marcos baseou-se em sínteses de tradições referentes a Jesus, (lógia de Jesus, ditos de Jesus, quelle = fonte) nas quais as palavras e os gestos de Jesus eram transmitidos independentemente de qualquer visão de conjunto da sua vida ou da sua pregação.

 

MATEUS - Os escritos de Mateus surgiram de um ambiente judeu-cristão próximo da Palestina, (Síria?) para onde os cristãos de Jerusalém se refugiaram quando aconteceu a guerra judaica – 66 a 72 dC, certamente levando consigo alguns “ditos” de Jesus”, de estilo rabínico, próprio de Jesus e da Tradição dos primeiros cristãos na Palestina. Esse texto em hebraico deve ter se perdido.

 

LUCAS - O Evangelho de Lucas igualmente possui algumas ligações com o de Marcos. Tem a mesma sequência, ordem e as mesmas sentenças que Mateus acrescentou a Marcos. Lucas busca dados da mesma fonte (Marcos?) de que se abasteceu Mateus para elaborar o seu evangelho, Lc 1,1-4.

Os três evangelhos sinóticos são semelhantes quanto ao conteúdo e quanto à ordem, podendo ser colocados em colunas paralelas numa visão de conjunto para evidenciarem suas semelhanças. Entretanto, eles tinham destinatários específicos:

Mateus à Comunidade cristã provinda dos judeus neo-convertidos.

Marcosà Atingir os pagãos (romanos) neo-convertidos ao cristianismo.

Lucas à Atingir os gregos e pagãos neo-convertidos.

 

OS DITOS DE JESUS

Entre os anos 30 e 60 dC não havia textos escritos sobre Jesus, a não ser “ditos de Jesus” que eram chamadas de “fontes ou apostilas”. O anúncio e as pregações nas celebrações e nas missões, sobre Jesus, eram orais.

Os textos sobre Jesus nasciam das comunidades de fé no Ressuscitado. As narrações orais ou escritas mais primitivas surgiam e se organizavam com a finalidade de catequizar os fieis sobre as sentenças, as atividades e os milagres de Jesus, comprovando a sua autoridade divina.

Para entendermos melhor os Evangelhos, devemos notar que eles foram escritos cerca de 30 anos DEPOIS da Ressurreição, quando já existiam comunidades de fé, reunidas e fortalecidas pela Ressurreição e pela descida do Espírito Santo em Pentecostes.

MARCOS ELABORA O PRIMEIRO EVANGELHO DE JESUS, O FILHO DE DEUS.

Entre os anos 65 e 70 DC. João Marcos teria escrito um texto, partindo de documentos sobre as palavras e feitos de Jesus, dando origem ao primeiro Evangelho, sobre o qual Mateus e Lucas vão basear seus evangelhos.

 

HISTÓRIA DE MARCOS

João Marcos escreveu o evangelho em Roma, depois da perseguição de Nero, ano 64, depois da morte de Pedro.

João Marcos nasceu em Jerusalém (At 12,12; 13,5.13; 15,37-39). Sua mãe era xará de Maria de Nazaré, mãe de Jesus, Atos 12,12. Marcos foi companheiro de Paulo e Barnabé (em Roma?) I Pd 5,13, Atos 12,25.

Marcos usa frases latinas grecizadas contidas em seu Evangelho. Escreveu em grego. Teve ainda o cuidado de explicar costumes judaicos, 7,3-4;14,12; 15,42 e de traduzir as palavras aramaicas, de frisar o alcance do evangelho para os não judeus 7,27; 10,12; 11,17. As palavras aramaicas utilizadas por Marcos provam que Marcos escreveu em ambiente romano (7,27; 10,12; 11,17; 13,10), que desconhecia o aramaico e os costumes judeus.

 

PROVAS DE QUE MARCOS ESCREVEU O EVANGELHO

Papias, ano 150 dC, bispo de Hierápolis, afirmou que o segundo Evangelho é de Marcos, um autêntico conhecedor e intérprete de Pedro em Roma. Para ele Marcos era um expositor da doutrina de Pedro, se bem que, no seu evangelho, possamos identificar muitas e diferentes tradições.

O Código de Marcião e Ireneu atestam que realmente Marcos escreveu o Evangelho.

Outros, como Clemente de Alexandria, dizem que Marcos escreveu, quando Pedro ainda estava vivo.João Marcos era um judeu convertido ao cristianismo. Gozava de grande autoridade diante das comunidades cristãs. Emigrou da Palestina para Roma, em cuja casa Pedro se refugiou. Foi companheiro de missão de Paulo e Barnabé, Atos 12,25. Afastou-se deles já na primeira viagem, At 1,5, provocando a separação dos mesmos na segunda viagem, Atos 15,37-39. É visto em Roma com Paulo e Pedro, Colossesses 4,10; I Pedro 5,13.

Foi o expositor da doutrina ensinada por Pedro, se bem que tenha se baseado igualmente em outras e diversas fontes - Marcos 2,1-3,35, para escrever o Evangelho, entre os anos 65 e 70.

 

MARCOS JUDEU PARA OS NÃO JUDEUS

O evangelho de Marcos destina-se a NEO- CONVERTIDOS não judeus que moravam fora da Palestina. Insiste no seguimento a Jesus, numa comunidade assustada pelas perseguições de Nero. Não mostra clara ligação com a doutrina de Paulo, apesar de Papias o chamar de intérprete paulino. Destaca somente João e Tiago no meio dos Doze, como encarregados de dar testemunho de Pedro. Marcos deu origem ao evangelho de Mateus e a Lucas, dos quais é anterior, onde gestos e palavras de Jesus são narrados sem nenhuma visão de conjunto da sua vida ou pregação.

 

MARCOS: O PRIMEIRO A ESCREVER O EVANGELHO

O evangelho de Marcos é o primeiro evangelho. Mateus e Lucas, que escreveram com linguagem mais bem elaborada. Aparecem mais tarde, tendo Marcos como base para elaborarem o seu evangelho.

Só nos séculos XIX e XX o evangelho de Marcos começou a ser valorizado pelos exegetas. Mais rude, sem ostentação, mostrando muitos semitismos, foi de caráter elementar para as reflexões usadas das comunidades primitivas e neo-convertidas ao cristianismo.

 

MATEUS E LUCAS

Pelo ano 80 dC Mateus e Lucas teriam escrito seus evangelhos, tendo como base e fundamento para suas pesquisas o evangelho de Marcos. Ainda que independentes, Mateus e Lucas se utilizam do evangelho de Marcos e de uma coleção de sentenças de Jesus, que a comunidade de Jerusalém mantinha, antes da guerra judaica – 66-73 dC.

Seja como for, Mateus, Marcos e Lucas, compilaram coerentemente sentenças, feitos, milagres de Jesus, convidando-nos a segui-lo e a ressuscitar com o Mestre dos Mestres, sendo sal da terra, luz do mundo e fermento na construção de uma sociedade igualitária e fraterna.

 

SEGUIR A JESUS É CONSTRUIR O REINO

Para Marcos Jesus insiste sobre o seguimento a ele. Fala sobre a proximidade do Reino de Deus. As parábolas, as controvérsias e os exorcismos comprovam que o primitivo evangelho de Marcos nasceu das necessidades das comunidades que estavam começando a se organizar. Necessitavam de um subsídio prático para a pregação, catequese, polêmicas, liturgia.

 

A FÉ EM JESUS E OS PRIMEIROS DISCÍPULOS

Marcos deixa transparecer no seu evangelho o valor do testemunho dos primeiros discípulos no tempo da perseguição de Nero. Marcos fixou por escrito alguns feitos e ensinamentos de Jesus, quando a vida das comunidades fora da Palestina e a reflexão teológica atiçada pelo choque com as culturas estrangeiras estavam ameaçadas de perder o contato com as origens das pregações do Divino Mestre na Palestina. Como Jesus é o Filho de Deus, a fé nEle devia ser comprovada pelo engajamento incondicional no seguimento a Jesus.

 

GALILEIA/JERUSALÉM

Segundo João Marcos, o ministério de Jesus se concentra na Galileia, lugar da manifestação escatológico-divina do Cristo e ponto de partida para a missão entre os pagãos - Marcos 7,24-37.

Jerusalém é o lugar da rejeição de Jesus pelos judeus, Marcos 3,22. No contraste entre Nazaré e Jerusalém fica evidente o da passagem da salvação dos judeus incrédulos para os pagãos que aceitaram a proposta da Salvação.

O evangelho, escrito por Marcos, procura apresentar a boa-nova de Jesus Cristo Filho de Deus, 1,1, a própria pessoa e a obra de Jesus, que dão sentido à vida cristã. Mostra a importância de Jesus, base fundamental para o anúncio.

 

DE ONDE NASCE O EVANGELHO DE MARCOS?

Marcos, para escrever o Evangelho, demonstra ter se utilizado de fontes mais antigas, pequenas peças literárias, 2,1- 3,35, sobretudo do relato da Paixão, que se referia abundantemente a expressões hebraicas, de caráter elementar das reflexões sobre Jesus.

As fontes existentes de que deve ter se servido Marcos, eram parciais. Marcos é o primeiro a escrever uma “biografia- teologia” de Jesus, desde o batismo até a ressurreição, com sequência cronológica e geográfica.

Na verdade não se trata apenas de biografia, mas de anúncio da Boa Nova de Jesus Filho de Deus aos pagãos que desejam aderir a Jesus, vivendo o seu Evangelho de salvação.

 

JESUS SE REVELA

Na primeira parte do Evangelho de Marcos - 1,1 – 8,26 - Jesus revela a sua natureza divina, o Messias, o Filho de Deus. Proíbe aos demônios, 1,25-34, às pessoas curadas, 1,44, e aos discípulos de revelarem em público o significado de sua pessoa. Nem todos lhe obedecem.  Jesus não queria se tornar como que um homem de espetáculos e de mágicas. Não era ainda o momento certo de Ele se fazer conhecido como O Filho de Deus. Conhecer e viver a Ressurreição exigia maturidade, fé, compromisso, conversão e caridade no coração. O povão ainda estava imaturo para entender a divindade de Jesus, o Filho de Deus.

 

QUEM O POVO DIZ QUE EU SOU?

A partir de 8,27, o mesmo Jesus procura esclarecer a natureza de sua pessoa e pergunta: “Quem o povo diz que eu sou?” Ele mesmo se revela como o “Filho do homem” que devia morrer e ressuscitar, 8,31. Não é compreendido pelos discípulos. Faz exigências radicais para os seus seguidores, 8,34-38.

 

JESUS: MESSIAS E FILHO DE DEUS

Diante do tribunal que O condena, Jesus afirma ser o “Messias e Filho de Deus”, 14, 61. Ao morrer, é reconhecido pelo centurião romano como “Filho de Deus” 15,39. Esse é o segredo messiânico revelado somente a poucos para mostrar como a divindade de Jesus Messias e Filho de Deus já estavasubentendida na sua vida terrena, mas foi reconhecida somente após a sua morte e ressurreição, 9,9.

Marcos inicia o Evangelho de Jesus Filho de Deus e o finaliza com o anúncio da Ressurreição feito pelo anjo e com a ordem de os discípulos se dirigirem à Galileia, donde deveriam partir para as missões, levando a boa-nova da ressurreição a todos os povos, 9,9.

 

MARCOS, EVANGELISTA, MAS NÃO APÓSTOLO

O evangelista João Marcos, que não foi apóstolo, devia conhecer muito bem a Palestina, pois dá indicações precisas dos lugares por onde Jesus passava 1,4. Escreveu em ambiente romano que nada sabia das terras do Médio Oriente.  Marcos esclarece que Jesus exerceu o seu ministério na Galileia e em seus arredores, 7,24.31; 8,27. Passa pela Peréia e por Jericó, 10 e sobe para Jerusalém, 11. Escreve para cristãos romanos ainda ligados a uma origem palestina, comprometidos com a missão entre os pagãos e com a igreja formada por judeus e gentios.

 

EVANGELHO: DE DEUS – A BOA NOVA

Marcos em seu “Evangelho de Deus” mostra que Jesus é o Filho de Deus, 1,14.  O Evangelho é a Boa Nova destinada a todos os povos cuja aceitação define a fé cristã por meio de Jesus. A Boa Nova não é apenas o ensinamento, mas a Pessoa e obra de Jesus Cristo, Filho de Deus. Deus deve ser proclamado a todas as nações: 13,10; 14,10. A ação de Deus manifesta em Jesus deve ser proclamada pela palavra confiada aos discípulos.

 

A AÇÃO DIVINA EM MEIO AOS HOMENS

O Evangelho escrito por Marcos mostra a ação divina em meio aos homens. Marcos pretende mostrar que Jesus é o Filho de Deus. As palavras e as ações de Jesus contra as forças do mal são reconhecidas pelo povo: 1,21-45; 3,7-10, mas contestadas pelos inimigos da verdade.

Marcos em seu evangelho do início até o capítulo 8º menciona o Segredo messiânico. O Segredo messiânico deve ser guardado, pois Jesus não quer dar espetáculo. O segredo é este: Jesus é o Filho de Deus, 1,25; 3,12.

Os opositores – doutores da Lei, fariseus, saduceus - e os legalistas se opõem a que Jesus seja o Messias, o Divino. Dizem que ele é instrumento do príncipe dos demônios, 3,22-30.Os discípulos distinguem-se da multidão, pois já começam a entender o que é anunciado pela Ressurreição: Jesus é mesmo o Filho de Deus, 4.10. 33-34.

 

O SEGREDO MESSINÂNICO

A pergunta que se faz a respeito de Jesus é a seguinte: “o que é isto? 1,27 – quem é este? 4,41 – As respostas são divergentes. Pois, nem todos O entendem nem O aceitam. Pela boca de Pedro, os discípulos reconhecem que Ele é o Cristo, o Ungido, 8,29. Mas devem se calar para não precipitarem nem transformarem Jesus em um simples mágico ou um show man.

 

O ÁPICE DO EVANGELHO: A PAIXÃO DE JESUS

O ápice do evangelho de Marcos é a Paixão, os conflitos em Jerusalém e o tríplice anúncio sobre os sofrimentos de Jesus que seguem à profissão de fé de Pedro.

O Segredo messiânico ocupa lugar de destaque, 3,6; 1,34; 1,44; 8,30. Jesus não fora reconhecido senão depois da Páscoa. Só na humilhação do Cristo o evangelista Marcos deixa claro sobre a pessoa e a missão do Filho de Deus.

 

JESUS SEMPRE ACOMPANHADO

Jesus, desde o início do Evangelho de Marcos, aparece com os discípulos que deveriam dar prosseguimento à obra começada. Já na Galileia acontece o chamamento dos quatro discípulos (Simão, André, Tiago e João) 1,14,ss.  Não fica só, a não ser quando os manda pregar, 6,7-30 e no momento da paixão.  Após sua ressurreição ele reagrupa os discípulos em torno de si 14,28;16,7.

A lentidão dos apóstolos em crer, a sua contínua falta de compreensão e a imaturidade no momento em que se cumpre na verdade a revelação do Cristo, Filho de Deus, mostraram o plano de Marcos de revelar o melhor somente depois da Ressurreição.

 

JESUS: CONFRONTO COM OS ADVERSÁRIOS

Marcos 11-13: Jesus confronta os seus adversários.

14-15: O segredo messiânico é desvendado no discurso da Paixão.

- A declaração de Jesus diante do Sinédrio o condena à morte.

- 15,39: ligam Jesus às revelações de Deus por ocasião do Batismo e da Transfiguração (11,11; 9,7) e justificam o título: “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”.

- O ponto central do Evangelho de Marcos é o relato da Paixão, consequência dos conflitos em Jerusalém, do tríplice anúncio da Paixão, seguida pela profissão de fé de Pedro (3,6; 1,44; 8,30). Isso quer mostrar que após a sua Páscoa o segredo está revelado em (1,1; 3,11; 8,29).

As contendas e o segredo messiânico são bem entendidos somente depois da ressurreição, 14-15.

Sua morte, 14,61-62, e a palavra do centurião romano na hora final, 15,39, encaixam-se com as revelações de Deus por ocasião do Batismo e da Transfiguração, 1,11; 9,7 e justificam o título do livro: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus,1,1.

 

O POVO NÃO ESTAVA PREPARADO PARA ENTENDER O FILHO DE DEUS   

O tempo de Jesus deveu ser apenas para preparar e amadurecer os seus admiradores e seguidores. Os discípulos não tinham ainda entendido e não estavam preparados para a grande Páscoa da Vitória de Jesus.

O final do Evangelho de Marcos descreve as mulheres fugindo de junto do sepulcro vazio, sem dizer nada a ninguém, “pois estavam apavoradas”, mostrando assim que a ressurreição, para ser crida, assumida e vivida, exigia muita convicção, clareza e uma vocação consciente de quem assume totalmente a missão de Jesus.

 

CONHECENDO O EVANGELHO DE JOÃO MARCOS

Dentre os evangelistas, Marcos é o primeiro a escrever em estilo de Evangelho. Fora menos preferido pela Igreja que lia mais Mateus e Lucas. É objetivo. Sublinha a importância de Jesus terreno para o anúncio da fé.

Foi somente a partir do século XIX que o evangelho de Marcos se tornou mais valorizado pelos estudiosos da literatura e da história antiga, da exegese do Novo Testamento.

 

QUEM É JESUS?

Marcos escreveu o Evangelho com a finalidade de responder à pergunta: “Quem é Jesus ?”. Não usa doutrinas teóricas ou discursos de Jesus. Relata apenas a prática ou atividade de Jesus, deixando ao leitor tirar a conclusão: Jesus é o Messias, o Filho de Deus – 1,1; 8,29; 14,61; 15,39. O importante na leitura do Evangelho de Marcos é perceber o significado do que Jesus faz, isto é, estar atento ao quadro completo da sua atividade.

 

O EVANGELHO DE MARCOS É COMPLETADO PELOS SEGUIDORES DE JESUS

Marcos dá a entender que sua obra não é completa. Cabe ao leitor concluir a Boa Nova, tomando posição: continuar o livro através de sua própria vida. O leitor deve decidir em assumir as propostas de Jesus, reconhecer Jesus como o Messias, o enviado por Deus a este mundo para a nossa salvação – 8,29; 15,39. O leitor deve aceitar o convite - 16,7 - e ir atrás do Ressuscitado com boas obras, construindo uma sociedade justa e fraterna.  Não basta ler o evangelho, mas continuar aqui e agora a atividade concreta de Jesus, através de ações que façam renascer continuamente a esperança da vinda do Reino.

 

O MESSIAS ESPERADO E O MESSIAS JESUS

Jesus, pelas suas ações e práticas, realiza o projeto messiânico segundo a vontade do Pai, entrando em conflito com uma concepção de Messias ligada ao poder de dominação. O povo esperava e queria um messias glorioso, poderoso, rico e dominador, que libertasse os judeus do domínio Romano, fazendo Israel retornar o antigo esplendor dos tempos de Davi e Salomão. Esse messias poderoso não iria realmente ser o Libertador dos humildes. Continuariam reforçados os esquemas de dominação, classista e opressora. Por isso, por não aceitar a dominação de ninguém, Jesus teve que enfrentar a forte oposição dos saduceus e fariseus.

A atividade de Jesus tem objetivo claro: concretizar a vinda do Reino de Deus. – 1,15. Transformar radicalmente as relações humanas: o poder é substituído pelo serviço (campo político), o comércio pela partilha (campo econômico), a alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade (campo ideológico).

Criar a fraternidade sem discriminação de quem quer que seja.

As propostas e a vivência de Jesus provocam OPOSIÇÃO por parte das autoridades corruptas e das pessoas beneficiadas e privilegiadas, que faziam de Jerusalém e do Templo sede de seu poder e de sua riqueza. O resultado desse conflito entre Jesus e os poderosos da religião, da economia, da sociedade é a condenação injusta de Jesus à morte e morte de Cruz.

Jesus ressuscita, vence a morte e continua vivo em seus discípulos. Sua ressurreição é a sentença condenatória do sistema opressor que o crucifica.

 

O MINISTÉRIO DE JESUS

O ministério de Jesus (ações, fatos, palavras, milagres, ensinamentos, milagres) é concentrado na Galileia, lugar de manifestação escatológica de Jesus, ponto de partida para a missão entre os pagãos, 3,22. Marcos preanuncia a passagem da salvação dos judeus incrédulos – daGalileia e de Jerusalém  - para os gentios que acreditavam em Jesus.

Os personagens, os lugares, os ensinamentos de Jesus, a insistência na proximidade do Reino de Deus, as parábolas, as controvérsias e os exorcismos citados por Marcos no Evangelho, provam que ele se utilizou de fontes bem mais antigas, próximas da origem, ligadas aos primeiros discípulos.

O evangelho de Marcos nasceu de uma extensa pesquisa e de convivência intensa com os judeus e com os pagãos.

 

QUEM É ESTE HOMEM JESUS?

Marcos documentou o seu Evangelho no momento em que as comunidades espalhadas fora da Palestina e a reflexão teológica em debate com outras culturas não judaicas, estavam ameaçadas de perder o contato com as origens. Trabalhou em cima da pergunta: “Afinal, quem é este homem?”

O evangelho de Marcos traz a resposta dos primeiros seguidores, as primeiras testemunhas: Jesus é o Filho de Deus. Marcos aproveita para insistir que a fé em Jesus, O Filho de Deus, se comprova pelo engajamento incondicional no seguimento a Jesus. Os seguidores de Jesus ressuscitam para uma vida transformada, com mentalidade nova, convertida para a construção do Reino, baseada na justiça, na partilha, na fraternidade e no amor.

 

PRINCIPAIS TEMAS E ORDEM DO EVANGELHO DE SÃO JOÃO MARCOS

O Evangelho de Marcos apresenta uma sequência de relatos sem muito nexo, mas com indicações geográficas mais precisas. Desde o início – 1, 1 - até o final do evangelho, quando o oficial do Exército reconhece Jesus como o Filho de Deus, – 15,39 - Marcos apresenta sua tese: Jesus Cristo é o Filho de Deus. Marcos não narra o nascimento nem a infância de Jesus.

Marcos 1,14: As atividades de Jesus acontecem na Galileia e arredores (7,2431) até as regiões pagãs. Passa pela Pereia e Jericó (10). Jesus sobe para Jerusalém, onde foi morto e ressuscitou.

A ação de Deus manifesta-se em Jesus pela sua vida, palavras e ações, morte e ressurreição, devendo agora ser atualizada. O Evangelho não é só uma mensagem, mas AÇÃO divina em meio aos homens.

O Evangelho, a Boa Nova, é destinado a todos os povos, cuja aceitação define a autêntica fé cristã. Marcos quer mostrar que Deus realizou suas promessas em favor do povo.

Início do Evangelho de Marcos: “evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. O Evangelho (1,15) é a Boa Nova que deve ser proclamada a todos os povos (13,10; 14,19).  Deve-se fazer de tudo pelo anúncio do Evangelho (8,35; 10,29).

 

JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS

O poder do mal é inferior ao poder de Jesus (1,21-45; 3,7-10). Jesus, Filho de Deus, é um fato que, por enquanto, deve manter-se secreto, para se evitarem falsas manifestações e ovações superficiais antes da Ressurreição (1,25; 3,12).

Os opositores colocam Jesus como um demônio (3,22-30).

Os discípulos distinguem-se na multidão, dado que Jesus lhes explicava melhor todos os seus ensinamentos e parábolas - (4,10. 33-34).

“Que é isso?” (1,27) – um ensinamento dado com autoridade. Ele manda até nos espíritos maus e eles lhe obedecem”.

“Quem é esse?” (4,41): os discípulos, na tempestade no Lago de Genesaré, ficaram com muito medo quando a barca parecia que ia afundar e Jesus estava como que dormindo... “Quem é este homem que até o vento e o mar lhe obedecem”?

As respostas dadas pelo povo são diferentes (6,14-16); 8,27-28). A missão de Jesus não é bem entendida (6,52; 8,14-21). Os discípulos o reconhecem pela boca de Pedro que Ele é o Cristo (8,29). Mas, devem se calar; o que é repetido por três vezes 8,31; 9,3032; - 10,32-34.

O Novo Ensinamento de Jesus é este: “O Filho do Homem deve passar pelo sofrimento, a morte e a ressurreição”.

 

JESUS E SEUS DISCÍPULOS

Jesus aparece desde o início com os seus discípulos que deveriam prosseguir a obra começada.

- Marcos mostra continuamente o chamamento de discípulos, pescadores, para seguirem a Jesus (1,16-29).

Jesus vive com os discípulos. Trabalha com os seus seguidores.

- O Mestre anda sempre com os discípulos, exceto quando os manda a pregar (6,7-30).

Jesus fica só: nos momentos da Paixão e depois da fuga dos apóstolos. Já ressuscitado, Jesus reúne de novo os seus discípulos na Galileia.

- Os apóstolos são lentos para crer, sem compreender e deficientes diante da Revelação de Cristo, Filho de Deus.

 

DISCÍPULOS LENTOS PARA CRER

A fé dos discípulos só se desenvolve depois da Páscoa. A vida terrena de Jesus foi um tempo de manifestação real, mas compreendida só depois da Ressurreição. O segredo messiânico pode ter limitado a compreensão por parte dos seus seguidores. O importante não é apenas conhecer e crer, mas dar testemunho da verdade em favor da caridade e da justiça. Compreender e assimilar, viver e anunciar é o seguimento autêntico a Jesus. A lentidão em compreender é o tempo de amadurecimento da fé.

 

ESTRUTURA DO EVANGELHO DE JOÃO MARCOS

O evangelho de Marcos comporta três grandes divisões:

Prólogo: pregação de João Batista, batismo e tentação de Jesus (1,1-13).

I - Pregação de Jesus na Galileia (1,14-6,6a):

1. Cafarnaum e a zona próxima (1,14-45; o ministério em Cafarnaum é descrito no âmbito de apenas uma jornada, exemplo da esquematização de Mc).

2. Disputa de Jesus com os judeus: cinco discursos polêmicos (2,1-3,6).

3. Êxito de Jesus e algumas controvérsias (3,7-35).

4. As parábolas (4,1-34).

5. Quatro milagres no mar da Galileia (4,35-5,43).

6. Conclusão do ministério na Galileia: rejeição de Nazaré (6,1-6a).

II - As viagens de Jesus (6,6-10,52):

1. Missão dos apóstolos (6,6b-29).

2. Viagem e retorno, distribuição dos pães aos cinco mil, controvérsia (7,1-23).

3. Viagem e retorno, milagres, controvérsia (7,24-8,12).

4. Viagem e retorno, curas, confissões de Pedro, anúncio da paixão, transfiguração (8,13-9,50).

5. Viagem a Jerusalém, controvérsia, ensinamentos, cura do cego (10,1-53).

III - Pregação em Jerusalém, paixão e morte, ressurreição (11,1-16,8):

1. Atividade messiânica (11,1-26).

2. Ensinamento messiânico (11,27-12,44).

3. Apocalipse (13,1-37).

4. Jesus e seus discípulos (14,1-42).

5. Jesus processado pelos judeus (14,43-72).

6. Jesus interrogado por Pilatos e crucificado (15,1-47).

7. Jesus ressuscitado (16,1-8).

Apêndice (16,9-20).

 

BIBLIOGRAFIA-

Bíblia Sagrada de Jerusalém

Bíblia Sagrada – Ave Maria

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral - Paulus

Bíblia Sagrada – CNBB

Dicionário Bíblico Universal- Vozes

Concordância Bíblica –SBB

Sinopse bíblica – Paulus

The New Jerome Biblical Commentary – Presence Hall

KONINGS, Johan, A Bíblia nas suas origens e hoje, Vozes

 

Vejam também : PALAVRAS-CHAVE

Pe. Gildeo – fevereiro 2018