PÁSCOA

A palavra Páscoa em português deriva do termo em hebraico “Pessach”.

Páscoa é uma das festas mais antigas do cristianismo. Originou-se da tradição judaica e de elementos pagãos que foram apropriados de povos cristianizados, como os germânicos.

A Páscoanão possui data móvel. Acontece sempre na lua cheia entre o final de março e o início de abril.

O sentido cristão da Páscoa relembra a perseguição, a prisão e a crucificação que culminou na ressurreição deCristo.

A PÁSCOA DOS JUDEUS

A Páscoa cristã baseia-se na Pessach (“passagem”, em hebraico), celebração de tradição judaica que relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito.

A Páscoa dos hebreus era realizada próximo da época que marcava o início da primavera.

A Páscoa judaica celebrava anualmente a libertação da escravidão do povo Hebreu das garras do Faraó no Egito.

 Diz-nos o livro doÊxodo que Javé deu uma ordem a Moisés, para celebrar sempre a “passagem” de Deus protegendo os Hebreus na saída da escravidão do Egito. Moisés transmitiu a ordem para o povo hebreu conforme o relato bíblico:

“Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e os sacrificai por ocasião da páscoa.Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até a manhã.

Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios. Quando o Senhor vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, saltará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.Portanto, guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, guardareis este ritual, como um memorial para sempre.E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que saltou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se e adorou.Êxodo 12,21-27.

 - Por isso, os hebreus celebravam sempre e comemoravam festivamente a Javé que “passou” libertando o seu povo da escravidão do Egito.

PÁSCOA CRISTÃ

O Cristianismo surgiu do Judaísmo, celebrando anualmente a Páscoa. Mas a Páscoa cristã adquiriu outro sentido mais redentor. A Páscoa cristã se firmou a partir da ressurreição de Jesus, que venceu o pecado e a morte. É o memorial do Tríduo pascal, os três dias da prisão, martírio, crucificação, morte até a ressurreição de Cristo.

A ressurreição de Cristo é o grande fundamento da fé cristã. Morrendo na cruz, Jesus liberta a humanidade da escravidão do pecado. Oferece-nos a salvação pelo seu sangue derramado na cruz. A celebração da Páscoa cristã reveste-se de tal importância, que ela é celebrada diariamente no sacrifício da santa missa, a cada segundo do dia e em todo o universo.

Anualmente a Igreja celebra intensamente, por uma semana, o Mistério pascal que é ainda vivido e solenizado por quarenta dias durante o tempo pascal, dando vida e significado ao ato redentor de Jesus Cristo, que derramando seu sangue e morrendo na cruz, purifica a humanidade de seus pecados.

Cristo, vítima e sacerdote, éo eterno e verdadeiro Cordeiro de Deus que  se ofereceu em sacrifício para salvar a humanidade do pecado. Depois de ter sido crucificado e morto, Jesus ressuscitou após três dias, continuando a agir e a dar vida à sua Igreja para sempre.

A crucificação e ressurreição de Cristo aconteceram exatamente na época de realização da páscoa judaica, o que criou um paralelo entre as duas comemorações.

Na tradição cristã católica, a páscoa encerra a Quaresma, que é um período de quarenta dias marcado por jejuns, orações e esmola, para a purificação dos fieis para celebrar melhor a Páscoa do Senhor Jesus.

A Semana Santa concentra em poucos dias os principais fatos redentores de Jesus em favor da humanidade:

- O Domingo de Ramos, que marca a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, quando Ele é acolhido com Hosanas e aplaudido pelo povo como o Filho de Davi, o Rei de Israel.

- A Quinta feira santa, quando Jesus institui a Eucaristia, o Sacerdócio e o Lava pés, atitude do cristão que sempre procura servir aos seus irmãos. -  A Sexta-feira da Paixão faz memória da morte de Cristo.Jesus é vítima de dois falsos e injustos julgamentos, civil e religioso por Pilatos, Anás e Caifaz.

 O mesmo povo que acolheu a Jesus no Domingo de Ramos, saudando-O com hosanas, agora grita contra Ele, trocando-O pelo criminoso Barrabás e pedindo que Ele fosse crucificado.

- No Sábado Santo, à noite, se celebra a Missa solene da Vigília Pascal. Faz-se o memorial soleneda Ressurreição e da Vitória de Jesus sobre a morte.

- No Domingo de Páscoa se celebra a ressurreição vitoriosa de Cristo.

- A data da Páscoa foi instituída pela Igreja durante o Concílio de Niceia, em 325 d.C.fixada para a primeira lua cheia após o equinócio de primavera. O equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte.

HISTÓRIA DA PÁSCOA PAGÃ

O cristianismo, durante o processo de conversão de povos germânicos pagãos, apropriou-se de inúmeras tradições culturais e religiosas desses povos.

A Páscoa, sobretudo no hemisfério norte, possui algumas associações com tradições pagãs. Era celebrada bem antes de Moisés, que saiu do Egito exatamente no tempo da lua cheia do mês de Nisã.

Alguns historiadores relacionam a Páscoa com o culto à deusa germânica Eostern, também chamada de Ostara.

 O termo Páscoa em inglês e alemão, inclusive, muito provavelmente tem sua origem baseada nessa deusa.

Easter, o termo em inglês para a Páscoa (palavra semelhante ao nome “Eostern”);

Ostern, o termo em alemão para a Páscoa (palavra semelhante ao nome “Ostara”).

As festas que aconteciam entre povos germânicos e celtas para essa deusa eram realizadas na mesma época da festa cristã. Com a cristianização desses povos, a tradicional festa pagã misturou-se com a comemoração cristã.

Atribui-se também os símbolos da páscoa – o coelho e os ovos – a elementos pagãos. Ovos e coelhos eram vistos por povos na antiguidade como símbolos da fertilidade. Assim, à medida que esses povos foram sendo cristianizados, esses elementos foram sendo absorvidos pela festa cristã. A tradição de enfeitar os ovos e escondê-los teria chegado ao continente americano por meio de imigrantes alemães no século XVIII.

Ovos e coelhos podem simbolizar o tempo da Páscoa. Não podem nunca tomar o lugar o lugar de Jesus, fonte de vida, de salvação, de ressurreição, de vida nova para a humanidade.

 

Pe. Geraldo Ildeo Franco – março 2018

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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