O FIM ÚLTIMO DE TODAS AS COISAS

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

É saber geral de que tudo aquilo que nasce, sem exceções, um dia morrerá. A morte é uma das realidades mais presentes e certezas mais próximas de nossa existência. Já nos lembra o saudoso literato Ariano Suassuna em sua peça o Auto da Compadecida, “cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre. ”

Não sabemos quando, onde e muito menos como a morte nos acometerá. Porém, muitas são as especulações e relatos acerca do que circunda o fim último do homem e do mundo assim como o que se dará após este acontecimento. Desse modo, inspirados pela Palavra de Deus que foi revelada ao seu povo e que continua viva pela transmissão e testemunho da Igreja, propomos um condensado e objetivo ciclo de catequeses a respeito desse assunto tão intrigante, fonte de curiosidade e imaginação.Os espíritos reencarnam? Posso ser católico e, ao mesmo tempo, crer na teoria da reencarnação? Há de fato fogo no inferno? Realmente existe o purgatório? Posso me comunicar com os mortos? Como será o Céu? Será que conhecerei o paraíso? Quando Jesus voltará? Quando o mundo acabará? A estas e outras perguntas, tentaremos esclarecer ao longo de nosso estudo.

Deixamos claro que trataremos aqui de questões de fé iluminadas pelas Sagradas Escrituras e o Magistério Católico.  Não é nosso objetivo atacar ou desqualificar qualquer outra crença, respeitamos todas elas, porém exporemos aquilo que nos foi ensinado por Cristo e pela Igreja ao longo de seus dois mil anos de tradição e anúncio profético a partir de uma formatação atualizada e de mecanismos pedagógicos contemporâneos. Para bem sucedermos em nossa catequese, é necessário que coloquemos de lado os muitos invencionismos cinematográficos hollywoodianos e até mesmo o imaginário global de teledramaturgia que não servem de base para um estudo sério dessa matéria, mas, ao contrário, nos confundem.

A parte da Teologia que trata desse tema recebe o nome de Escatologia – do grego escaton, eskhatós: a finalidade, o último, o mais distante + logós, logon: doutrina, tratado, estudo, conhecimento -  ou seja, estudo do fim último de toda a criação ou, numa linguagem mais antiga, o estudo dos novíssimos (Inferno, juízo, purgatório e céu/paraíso). Constatamos que é mais apropriado falarmos em escatologias do que simplesmente escatologia. Isso se deve ao fato de haver variadas fontes interpretativas, tanto cristãs quanto pagãs, para explicar como será o fim da humanidade. Destaquemos algumas:

Hinduísta – cada casta possui seus próprios direitos e deveres espirituais e sociais. A posição do homem em determinada casta é definida pelo seu Karma (as ações definem a vida futura). O objetivo é superar o ciclo de reencarnações (Samsara), atingindo assim, o Nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e de todo o Universo. Este passa pelo ascetismo (doutrina que desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem), pelas práticas religiosas, pelas orações e pela ioga. Assim, a pessoa alcança a “salvação”, escapando dos ciclos da reencarnação.

Budista – superação do sofrimento e alcance do Nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. 

Islâmica - a História humana terminará com um julgamento final. Antes, porém, alguns personagens apocalípticos aparecerão, como o Mahdi, espécie de Messias. Esse é descrito como a mesma figura do que conhecemos como o Anticristo, que para o Islamismo aparecerá entre o Iraque e a Síria. Sua maioria aceita a ideia da existência do purgatório. O pecado imperdoável é associar algo ou alguém a Deus.

Judaica - Eventos tumultuosos abalarão a velha ordem do mundo, criando uma nova ordem na qual Deus é universalmente reconhecido como a nova Lei que organiza tudo e todos.  De acordo com essa tradição, o fim do mundo irá presenciar os seguintes eventos: reunião dos judeus na terra geográfica de Israel, derrota de todos os inimigos de Israel, construção do terceiro Templo de Jerusalém, assim como a restauração dos seus sacrifícios e serviços, e, por fim, a revitalização dos mortos ou ressurreição. Neste momento, o Messias judeu se tornará o monarca ungido de Israel.

Protestante – creem na vida após a morte, na segunda vinda de Jesus, na ressurreição dos mortos, no julgamento final, na criação de um novo céu e de uma nova terra. Em outras palavras, os protestantes conservam as mesmas crenças que os demais cristãos que aceitam as Escrituras Sagradas como única e última regra infalível de fé e prática. Todavia salvando-se as devidas proporções como a existência do purgatório e as datações para a vinda do Senhor.

Temos ainda a escatologia espírita, porém a deixamos para o final em virtude de sua influência e atração no Brasil, muito mais até do que na França onde originou-se.  Primeiramente, vale lembrar que essa não se trata de uma escatologia cristã, mas sim pagã e que é totalmente contraditória a nossa profissão de fé. Fundado no século XIX pelo professor e pedagogo francês Léon Hippolyte Denizard Rivail sob o pseudônimo de Allan Kardec, o espiritismo exclui automaticamente a verdade da Ressurreição, que é o centro da fé cristã. Realizando uma tricolagem de fundamentação, tomou para si aspectos do hinduísmo, do budismo e do cristianismo que, por sua vez, levaram a noção de reencarnação em árvores, animais ou outros seres humanos, para expiação e purificação da alma, dependendo de suas ações terrenas. Em outras palavras, diríamos que devemos, do mesmo modo que um diamante, sermos lapidados na vida terrestre até que alcancemos o ponto exato de perfeição e pudéssemos repousar nosso ser e não importa quanto tempo leve isso e quantas vidas tenhamos de viver. Com efeito, quem a professa, quem invoca os espíritos ou quem participa de sessões espíritas. Estes colocam-se fora da comunhão com a Igreja católica... se auto excomungam!

Assim nos falam as escrituras: “Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos – nossa casa terrestre – teremos nos céus uma casa preparada por Deus e não por mãos de homens, uma casa eterna. Pois gememos em nossa tenda, desejando revestir-nos de nossa morada celeste [...] não queremos ser despidos, mas sim revestidos de uma veste nova sobre a outra, para o mortal ser absorvido pela vida. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor. ”(2Cor 5, 1s.4.8)

“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor. E por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. ”(Dt 18, 9-12)

Para esclarecer quaisquer outras dúvidas e ter acesso a refutações lógico-racionais a respeito da incompatibilidade das noções de reencarnação e ressurreição, convido-lhe a visitar o site do Centro Latino-americano de Parapsicologia – CLAP (institutopadrequevedo.com.br) que, ligado ao Instituto de Parapsicologia Padre Quevedo, é responsável pelas mais avançadas pesquisas sobre fenômenos paranormais no mundo.

Enfim, embora tenhamos aqui citado outras narrativas escatológicas, a que verdadeiramente nos interessa é a Escatologia Cristã Católica pautada pelos ensinamentos de Cristo, pela Bíblia, a Tradição e o seu Magistério. No próximo texto abordaremos a respeito do centro desta Escatologia como esteio basilar para um estudo mais aprofundado de nossa parte.

Por Alef Cesar Augustinho – CICM

Referências bibliográficas:

FRANCO, Ildeo Geraldo.  Alguns assuntos relativos à Escatologia: os novíssimos do homem. Ipatinga, abril de 2016. 2p.

Catecismo da Igreja Católica (CIC).

SICURO, pe. Edvino SVD. Respostas da Bíblia às acusações dos “crentes” contra a Igreja Católica. Curitiba, novembro de 1992. 63p.

COSTA, Dom Henrique Soares da. Escatologia - Sobre o fim do mundo. Aracaju, maio de 2009.

BELMONTE, Alexandre. A escatologia das religiões.  Disponível em: www.napec.org (Apologética Cristã) 

Bíblia Sagrada, edição da CNBB.