CARTA DE PAULO AOS FILIPENSES – 4 CAPÍTULOS

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

A cidade de Filipos tem este nome em homenagem a Filipe II, pai de Alexandre Magno, que reconstruiu a cidade. Estava na Macedônia, um centro de encontro de grandes estradas entre o Leste e o Oeste no Império Romano. Depois do ano 42 a.C. ela foi colonizada por veteranos romanos e cumulada de privilégios por César Augusto.

Paulo criou ali a primeira comunidade cristã na Europa – Atos 16,12-40 - depois da sua segunda viagem (ano 49\50). Foi formada com alguns judeus e prosélitos pagãos - 2,15ss; 3,3s; 4,8s. Tornou-se a comunidade predileta de Paulo, o que foi demonstrado pelo fato de os filipenses sempre lhe ofertar apoio para os seus trabalhos sociais e pastorais – 4,15s – 2 Coríntios 11,ss.

Paulo enviou-lhes Timóteo e Erasto para visita-los – Atos 19,22. Ele mesmo os visitou por duas vezes em 57 e em 58, ao se dirigir a Jerusalém com as coletas recebidas – Atos 20,1-6.

Ao saberem que Paulo estava preso, os filipenses logo lhe enviaram Epafrodito com ajuda financeira – 4,14.18; 2,25. Epafrodito adoecera e ficaram preocupados com ele. Paulo, então, lhes escreveu esta carta para tranquiliza-los diante da boa recuperação de Epafrodito. Agradeceu-lhes pela ajuda a ele enviada pelos amigos filipenses. Ao mesmo tempo, exorta-os a perseverarem na fé, na prática do bem e do amor fraterno – 1,27-2,28. Devem superar as divergências – 4,2. Tomar cuidado com certos impostores, inimigos da cruz de Cristo 3,2.18. Envia-lhes ainda Timóteo para confirma-los na fé e saber notícias da comunidade - 2,19s.

 Paulo demonstra ter tido uma próxima e feliz amizade com esta igreja durante anos – 4,15-16.

Desde o início do trabalho pastoral de Paulo em Filipos houve muita oposição – I Tess 2,2; - Atos 16,19-40. Gregos, pagãos, romanos e judeus queriam exterminar Paulo, a comunidade cristã e os princípios em que se fundamentava a Igreja de Jesus Cristo ressuscitado.  Evidentemente a oposição à Igreja era muito forte no tempo quando Paulo escreveu a carta aos Filipenses.

 O tema principal da carta aos filipenses é convida-los a persistirem firmes na fé eem Jesus ressuscitado. A perseguição,  a oposição e as ameaças de morte nunca poderiam amedrontar os comunitários. Paulo oferece a si mesmo como um exemplo de firme coragem e de alegria no meio das até de uma possível morte.  Ele chama à atenção para o perigo da morte para quem prega o evangelho que deve ser exercido sempre consciente do sofrimento e de alegria que é real mesmo em tais dificuldades enquanto se vive e se anuncia a mensagem de Cristo – 1,6-11; 2,1-5;3,8-16; 4,11-13.

A carta aos filipenses tem um colorido familiar, mas, sobretudo com temas importantes do pensamento paulino como a união fraterna em Cristo -1,27-2-4; fonte de alegria – 4,4-7; o seguimento de Jesus humilde, sofredor e exaltado – 2,6-11; a luta contra os judaizantes, que colocavam a salvação nas obras da Lei e Moisés – 3,2s; e a esperança 1,19-26, que dá sentido à vida cristã: “... somos cidadãos do céu. De lá esperamos o Salvador e Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” – 3,20s.

No centro das mensagens da carta de Paulo está o grande e importante hino que celebra a história de Cristo se doando, se esvaziando até a morte e morte de cruz pelo que a ele foi dado o nome de Senhor (Deus) por Deus Pai, que está acima de qualquer nome 2,6-11. O hino cristológico foi provavelmente copiado e adaptado por Paulo de uma anterior tradição de alguma comunidade cristã.

Através dos tempos até hoje, o tema da auto entrega de Jesus, esvaziando-se a si mesmo, “kenosis” tem sido um conceito chave levando e convencendo os Cristãos a refletirem sobre a espiritualidade cristã e viverem renunciando-se e no esvaziando-se de si para o bem do próximo.

Paulo estava preso quando escreveu esta carta.  A data e o local são imprecisos – 1,12-26.Não se tem certeza se Paulo escreveu esta carta em Roma, Cesareia ou Éfeso. A data seria entre os anos 61/63. Existe certa semelhança, ao que parece, (estava preso em Roma) no texto que foi descrito no livro de Atos:referências à guarda ou ao pretório imperial – 1,13 – e à segurança do Imperador – 4,22 – e também por causa da situação refletida sobre o poder dos romanos e dos judeus anticristãos.

Muitos estudiosos colocam a edição da carta durante o período da prisão em Roma (ano 61-63?). Mas as indicações são meramente inconclusivas e hipotéticas. Talvez a carta tenha sido escrita desde Cesárea ou Éfeso e num tempo do início da carreira apostólica de Paulo. Os termos referentes ao Imperador eram também utilizados também para as suas funções em outras partes do império como em Roma.

A ocasião em que Paulo escreveu a carta foi pelo retorno aos filipenses de Epafrodito – 2,25-30 – que, anteriormente fora enviado pelos filipenses com presentes para Paulo – 4,18, e que estava seriamente doente, enquanto estava com Paulo. Paulo aproveitou-se da ocasião para agradecer aos filipenses pelos presentes, e não desconhecer suas dificuldades nos trabalhos apostólicos cristãos descrevendo sua própria situação e a relação de ambos, sua e a deles, diante da realidade de Cristo.

A carta segue o padrão oficial das cartas de Paulo em linhas gerais. Mas algumas mudanças de tópicos – especialmente entre 3,1 e 3,2 além do fato de que anteriormente o escritor Policarpo já havia escrito aos filipenses 2,3, referindo-se às cartas de Paulo aos filipenses, o que permitiu aos estudiosos concluir que a atual carta aos filipenses foi composta de partes de duas ou três cartas que Paulo escreveu aos filipenses. Muitos outros estudiosos, apesar disso, acham que a carta aos filipenses mantém uma clara coerência no seu todo.

 

Pe. Geraldo Ildeo Franco – outubro 2017