INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE LUCAS

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

O Evangelho de Lucas testemunha uma proposta de libertação e salvação universal, se estende a todos e a tudo, não porque o povo judeu a recusou, mas porque está no plano libertador e salvífico do Deus da vida favorecer toda a humanidade e toda a biodiversidade. Para Lucas, o plano libertador-salvífico começa com o movimento de Jesus, no evangelho, e continua no livro de Atos dos Apóstolos sob a ação do Espírito Santo prolongando-se na Igreja – comunidades de fé, amor e esperança - pelo mundo afora.No plano teológico de Lucas, o tempo da promessa é o Primeiro Testamento; o tempo de Jesus é o evangelho e o tempo da Igreja está em Atos dos Apóstolos. Assim Lucas apresenta uma visão unitária de um único projeto de libertação-salvação, querido por Deus, para o ser humano de todos os tempos e testemunhado em sua plenitude em Jesus de Nazaré, por meio do dom e da presença do Espírito Santo nas comunidades cristãs.

A cristologia de Lucas revela Jesus como eminentemente compassivo-misericordioso, Salvador de todos, curador de todas as doenças; acolhedor dos samaritanos; acolhedor amoroso das mulheres e praticamente da “comunhão de mesa” com pecadores ao sentar-se à mesa e comer junto com eles.Lucas mostra o tempo todo nos seus escritos a ação do Espírito Santo, que nos leva a uma viagem amorosa na espiritualidade e que nos traz o amor infinito de Deus. Ele usou uma forma afetiva para falar de Deus aos homens, é um mapa espiritual que nos ajuda a encher nosso coração com o fogo do amor de Deus, do amor divino, a encher o nosso ser com a força do Espírito Santo. É pela força do Espírito Santo que Maria fica grávida, e quando Isabel recebe a visita de Maria, também ela fica cheia do Espírito Santo; e é ainda cheio do Espírito Santo que Jesus fala de sua missão (Lc 4,14-19). O templo e a cidade de Jerusalém como lugares exclusivos de salvação ou revelação são superados. O povo de Israel, segundo Lucas, não é mais o “povo eleito” por excelência. Basta perceber a prioridade que Lucas dá aos samaritanos e aos gentios. Lucas nos alerta que o lugar por excelência da revelação de Deus é a pessoa de Jesus. O Menino Jesus é reconhecido como “bendito” (Lc 1,42); na sua humanidade “visita” o seu povo e toda a humanidade (Lc 1,68.78; 3,6). Deus, em Jesus, visita amorosamente o povo e dá início, assim, a um tempo de salvação, paz, reconciliação e perdão.Lucas tem uma grande preocupação social e dedica muita atenção às pessoas. Sua preferência é estar sempre do lado dos pobres, dos humildes e pequenos, e principalmente os marginalizados, os pecadores públicos e as mulheres – estas que eram tão ausentes da vida social no mundo palestino.Ele quer salientar que Jesus veio para eles, trazendo-lhes a justiça e a libertação, não para que eles simplesmente se encaixem na sociedade e na história que estão aí. Não. Jesus veio libertá-los para que eles construam uma nova sociedade e uma nova história, onde a justiça produz partilha e fraternidade, de modo que todos possam ter acesso à liberdade e a vida. São os pobres, os marginalizados e os derrotados que construirão o futuro! Lucas tinha uma intenção muito clara ao escrever seu Evangelho: mostrar como Jesus foi a resposta do Pai aos homens e mulheres de todos os tempos e como Deus agiu na vida dele pela força do Espírito Santo, para que assim todos nós pudéssemos acolher em nossa vida o Filho de Deus e por Ele tomar posse da herança que nos cabe.