A CEIA PASCAL

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Antes de partir deste mundo para o Pai, Jesus chamou os seus discípulos para uma despedida, quis estar com aqueles que desde o início de seu ministério o seguiram pela Galileia e pela Judeia, aqueles que haviam deixado tudo para estar sempre com ele.É momento solene: salienta-se a “hora” e os discípulos são chamados de apóstolos. O texto de Lucas é complexo, porque ele superpõe a celebração judaica da Páscoa (22,15-18) e a celebração cristã da Eucaristia (22,19-20). Ele quer mostrar que a Eucaristia cristã substituiu a Páscoa judaica, assumindo o significado que esta possuía e levando esse significado ao máximo. Dessa forma, a Páscoa assume um significado universal, e a libertação que ela registra é uma libertação total e para todos.O cordeiro pascal é substituído na Eucaristia pelo pão, e o sangue-vinho do cordeiro é substituído pelo vinho-sangue de Jesus. Ao celebrar a Última Ceia com seus apóstolos durante a refeição pascal, Jesus deu seu sentido definitivo à páscoa judaica.

Com estes gestos de entrega de pão e do vinho, compartilhados por todos, Jesus transforma aquela ceia de despedida numa grande ação sacramental, a mais importante de sua vida, a que melhor resume seu serviço ao reino de Deus. Mais ainda: seu duplo gesto de entregar um pedaço de pão a cada um e fazer com que todos bebam do vinho de seu cálice constitui a entrega definitiva de seu corpo e sangue. Sempre que alimentamos da Eucaristia, alimentamos de seu corpo e de seu sangue. Jesus quer que nós estejamos vinculados a ele e que alimentemos N’ele nossa esperança.  Ele continuará sendo “aquele que serve”, aquele que oferece sua vida e sua morte por nós, o servo de todos.  O pão e o cálice com vinho hão de evocar para nós, antes de mais nada, a festa final do reino de Deus; a entrega desse pão a cada um e a participação no mesmo cálice lhes trará à memória a entrega total de Jesus. E Judas que estava à mesa com Jesus, participava da última Ceia.Traiu-O por algumas poucas moedas. Esta é a sina de tantas pessoas que vendem seus sonhos por quase nada, e assim perdem sua dignidade. Lucas faz questão de dizer que Judas era um dos doze.Na verdade, só podemos ser traídos por aqueles que amamos, e foi o que aconteceu com Jesus: foi traído por um que Ele tanto amava. Quando Jesus disse “Por vós”: estas palavras resumem bem o que foi sua vida a serviço dos pobres, dos enfermos, dos pecadores, dos desprezados, dos oprimidos, de todos os necessitados.Estas palavras expressam o que vai ser agora sua morte: ele “desejou ardentemente” oferecer a todos, em nome de Deus, acolhida, cura, esperança e perdão. Agora entrega sua vida até à morte, oferecendo a todos a salvação do Pai.Nunca admiraremos suficientemente a profundidade, a beleza e, sobretudo o transbordamento de amor de um Coração divino que está impresso na Eucaristia e sempre ao nosso alcance em todos os altares onde é celebrada. Normalmente alguém pede a Deus em primeiro lugar que o livre de um perigo e só depois Lhe rende graças pelo pedido atendido. Jesus inverte essa ordem; tendo recebido do Pai, como dom, o desejo de sacrificar-Se pelo nosso bem, rende Lhe graças e, antes de consumar Sua Paixão, dela nos deixa perene memorial na Eucaristia que institui.É com o coração transbordante de gratidão e alegria que recebemos em nossas mãos o último e definitivo dom de Jesus, dom que é Ele mesmo para a vida do mundo.