A CONSPIRAÇÃO CONTRA JESUS(Lc, 22,1-13)

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Jesus teve uma vida plenamente humana. Homem comum que viveu radicalmente sua humanidade e revelou sua filiação divina. Era coerente entre o que dizia e o que fazia. Palavras e ações em sintonia na defesa dos pobres, da justiça e de todas as vidas em situação limite. Cativou multidões, fez amigos, despertou esperanças. Não viveu para si mesmo, mas para o povo. Dedicou sua vida combatendo as forças da morte, a doença, as injustiças, a fome, a violência. Tendo como único critério o amor ao próximo, era profundamente livre diante da lei, das autoridades, da religião e dos costumes. Expressava sua essência: sendo para o Pai, podia ser para os outros. As pessoas vêm primeiro.  

A morte de Jesus foi consequência da sua maneira de viver. Traído, caiu vítima de uma conspiração. Era um rebelde. O sistema não o suportava. Não se enquadrava na ordem. “Achamos este homem fazendo subversão entre nosso povo” (Lc 23,2). Ele se contrapôs à lógica das instituições ao colocar os pobres em primeiro lugar, ao anunciar a salvação aos pecadores, devolver a saúde aos enfermos, dar de comer aos famintos, desconstruir o machismo e acolher as crianças. Sua morte deveria servir de exemplo aos subversivos. O sistema não admite mudanças. Mas Jesus não se deteve diante das ameaças sofridas. Não recuou. Jesus tem lado. O lado da justiça. O lado de Deus.

Chegou o momento de pagar o preço por anunciar a nova história e a nova sociedade, construída pelos pobres e marginalizados. Os poderosos compreendem que essa nova história ameaça os seus privilégios, e reagem drasticamente, querem acabar com Jesus, mas tem medo do povo que segue e acolhe Jesus.

É verdade que Jesus vai sofrer e morrer, cumprindo o projeto de Deus confiado a ele (22,22). Isso, porém, não quer dizer que o sofrimento e a morte façam parte desse projeto. Deus quer a liberdade e a vida, e não o sofrimento e a morte. Sofrimento e morte do justo e do inocente são as consequências da resistência de uma sociedade que rejeita a liberdade e a vida do povo, isto é, que rejeita o projeto de Deus. Lucas começa o relato do sofrimento de Cristo narrando a tensão entre a celebração da Páscoa e a conspiração para trair Jesus.

Como se aproximava a festa da Páscoa, os sacerdotes e escribas estavam inquietos buscando como iriam matá-lo. É preciso esperar que a cidade se encontre mais tranquila e os ânimos dos peregrinos mais serenados. Querem prender Jesus em algum lugar sossegado, sem publicidade e possíveis demonstrações públicas. Não é aconselhável detê-lo em público, enquanto está rodeado de seguidores e simpatizantes. Logo encontrarão a maneira de capturá-lo de maneira discreta. Jesus sa­bia a res­pei­to do pla­no ma­ca­bro que o le­va­ria à pri­são, ao si­mu­la­cro de jul­ga­men­to e à cru­ci­fi­ca­ção e tor­tu­ras hu­mi­lhan­tes.A atuação de Jesus foi longe demais.

É o “tempo oportuno”: Satanás volta para o último ataque, através de Judas, um dos apóstolos. Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender com eles sobre o modo de entregar Jesus (22,4). Eles se alegraram com isso, concordaram em lhe dar dinheiro (22,5). Parece haver mesmo uma organização maligna com propósitos bem definidos e crentes de que é capaz de fazer as coisas mudarem, conforme planejamento e execução. Judas que acompanhou Jesus durante toda a sua atividade, se dispõe a traí-lo por dinheiro.

Diante do texto de hoje, somos chamados a ser um novo cristo, viver pelos motivos pelos quais Jesus viveu e ter a mesma atitude diante dos sistemas injustos, violentos e excludentes num país tomado pela desigualdade e pobreza.