O EVANGELHO DE LUCAS

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Tema central do Sínodo da família: A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo; o bem da Igreja, das famílias e a lei suprema, a salvação das almas.

O Sínodo foi guiado por três procedimentos: “coragem apostólica” para abordar tais desafios, “humildade evangélica” para ouvir os demais e “oração confiante” para escutar a voz de Deus.

Segundo o Papa Francisco, “nenhuma família deve se sentir sozinha ou excluída do amor ou do abraço da Igreja: o verdadeiro escândalo é o medo de amar e de manifestar concretamente esse amor” O Documento final do Sínodo, antes da aprovação do Papa, contém 94 parágrafos, sob a inspiração do Espírito Santo, o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo.

A família é a primeira e fundamental escola de humanidade. A Igreja, perita em humanidade, e fiel à sua missão, anuncia com convicção profunda o Evangelho da família. O matrimônio cristão é vocação, um verdadeiro chamado de Deis que exige atento discernimento, oração constante e amadurecimento adequado.

O itinerário formativo para as famílias deveria assumir a fisionomia de um caminho orientado ao discernimento vocacional pessoal e de casal. É preciso valorizar a ministerialidade conjugal no contexto de uma comunhão de vocações em que se concretiza uma troca fecunda de dons, que reaviva e enriquece a comunidade eclesial. Nisso também se insere o apelo a uma maior presença dos leigos e das famílias na formação do clero e dos religiosos, porque favorece o apreço da variedade e da complementaridade das diversas vocações na Igreja.

O mundo esperava do Sínodo normas e orientações precisas e leis sobre as novas formas de se formar as famílias no mundo atual. Aguardava-se clara atitude da Igreja diante dos recasados, dos divorciados, dos homossexuais e tantos e diferentes tipos de situação que a família enfrenta hoje. Diante de situações complexas e das famílias feridas, o Sínodo reconheceu que a misericórdia é o centro da revelação de Jesus Cristo. Sua atitude quis ser de humilde compreensão. Seu desejo é acompanhar cada uma e todas as famílias, para que descubram a via melhor para superar as dificuldades que encontram no seu caminho. Na ótica da fé, não há excluídos; todos são amados por Deus.

Casais separados, divorciados em segunda união não estão excomungados. Fala-se da arte do acompanhamento (aparece 40 vezes no Documento sinodal) na qual é preciso aprender a tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro.

Acompanhamento, discernimento e a integração exigem dos pastores de almas um intenso trabalho de dar presença missionária no meio das famílias, principalmente daquelas distantes e afastadas do rebanho. Os Dons do Espírito são também derramados por sobre os que se ausentaram de nossa Igreja.

Citando João Paulo II, os padres sinodais lembram que os pastores, por amor à verdade, são obrigados a bem discernir as situações. Reconhecem o valor do “fórum interno”, ou seja, a consciência pessoal de cada fiel diante de Deus, em que se pode formar um juízo correto sobre o que obstaculiza a possibilidade de uma participação mais plena na vida da Igreja e nos passos que podem favorecê-la e fazê-la crescer. Cabe a cada fiel, diante de Deus, sua consciência e do sacerdote que o acompanha, discernir o caminho a tomar. A pastoral deve captar os elementos positivos naquelas situações que não correspondam ainda ou não mais ao Evangelho. Quanto aos homossexuais, o Sínodo afirma que toda pessoa, independentemente da própria tendência sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, com o cuidado de evitar toda maneira de injusta discriminação, solicitando, ainda, uma atenção específica ao acompanhamento das suas famílias.

É necessário defender e promover a dignidade da mulher sujeita a grandes diferenças que ocorrem principalmente de fatores socioculturais - se bem que, dos 330 participantes do Sínodo, apenas 33 eram mulheres, sem direito a voto. É necessário que as mulheres tenham vez, voz e poder de decisão na mesma Igreja, conforme o desejo do Papa Paulo VI em 1965.

A mesma Igreja é uma família de famílias, diversas, plurais, heterogêneas. Conforme afirmou o Papa Francisco, para todos nós, a palavra família não soa mais como antes do sínodo, a tal ponto que nela encontramos já o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.

Deseja-se que o Papa nos forneça um Documento final sobre a família, para que, nela, a Igreja Doméstica, resplandeça cada vez mais Cristo, luz do mundo.

Para o Papa os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as idéias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão.

O primeiro dever da Igreja não é distribuir condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus. A Igreja deve abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus que supera os nossos cálculos humanos e que não deseja outra coisa senão que todos os homens sejam salvos. Diz o Papa Francisco: “Estamos a serviço dos fieis: para os discípulos de Jesus, a única autoridade é a autoridade di serviço, o único poder é o poder da cruz”.

Importa agora caminhar juntos para levar o Evangelho, o abraço da Igreja e o sustento da misericórdia de Deus.

Pe Gildeo – 15 novembro 2015