IGREJA ORTODOXA  X  IGREJA DE ROMA

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

A Igreja católica do Oriente designou para si o nome de “Igreja Ortodoxa Católica e Apostólica do Oriente”, adotando liturgia e ritos próprios. Desde o século XI ela se desvinculou da Igreja de Roma. Essa divisão (cisma) teve origem no século IV, quando Teodósio criou os dois Impérios, do Ocidente (língua latina) e o do Oriente (língua grega).

A heresia monofisista,* a controvérsia das imagens, (a não aceitação das imagens dos santos), o recuo de Constantinopla (atual Istambul) em relação ao Credo do Concílio de Calcedônia culminaram no cisma de 1054, com o desentendimento do Patriarca  Miguel Cerulário, em Bizâncio** e o Papa Leão IX em Roma.

A Igreja Oriental não tem uma unidade centralizada como a Igreja Ocidental cujo “cérebro” é Roma. Ela constitui-se de um conjunto de onze Igrejas autônomas, independentes. Tem como fundamento a fé e a caridade mística. Seu órgão supremo é o Sínodo episcopal pan-ortodoxo. O patriarca (bispo) de Constantinopla exerce certa liderança sobre os outros patriarcas como Patriarca Ecumênico, privilegiando-se de um primado de honra.

Só aceita a autoridade dos sete primeiros Concílios. Constitui-se de quatro patriarcados: (Constantinopla, Antioquia, Jerusalém, e Alexandria) e sete comunidades independentes (Mosteiro do Sinai, A Igreja de Chipre, da Rússia, da Grécia, da Bulgária, da Sérvia, e da Romênia).

Reconhece os sete sacramentos e as Ordens Sagradas como na Igreja de Roma. Os seus padres podem se casar. Em seus templos não há imagens, mas estampas ou ícones. Na Eucaristia usam pão fermentado. A Confirmação pode ser ministrada pelos padres. Mantém os mesmos dias santos da Igreja de Roma. Manifesta grande amor pela Virgem Maria.

As Cruzadas, (séculos XI, XII, XIII) pelos saques e roubos feitos em Constantinopla, - especialmente a Quarta Cruzada - dificultaram ainda mais a possibilidade de união das Igrejas do Oriente Ocidente.

Em 1261 o Imperador grego Miguel VIII, com o Papa Urbano IV, tentou fazer a reunificação das duas Igrejas. Quis conceder ao Papa o primado de jurisdição, para consolidar a aproximação das duas Igrejas, mas o seu povo se revoltou, impedindo que tal acontecesse, por causa do seu ódio contra os cristãos de Roma, promotora das Cruzadas.

O Papa Gregório X, em 1274, convocou o XIV Concilio Ecumênico em Lião, visando a reforma e a união da Igrejas, bem como a ajuda a Jerusalém. Miguel VIII, reconhecendo a profissão de fé do Concílio de Niceia, o primado do Papa, a festa de São Pedro e Paulo, igualmente tentou a sonhada união das Igrejas. Participaram desse Concílio 300 bispos, teólogos e grande representação grega. Na conclusão do Concílio, Gregório X proclamou a unificação das duas Igrejas, entretanto, o clero e o povo do Oriente opuseram-se a essa unificação.

No pontificado do Papa João XXI, português, século XIII, as negociações a favor da união das duas igrejas chegaram a um certo consenso.

O imperador Miguel VIII e seu filho, num Sínodo, declararam sob juramento o seu reconhecimento do primado romano e da confissão de fé católica romana, mesmo mantendo o rito bizantino em sua liturgia. Apesar disso, quando a delegação grega chegou a Roma, o Papa João XXI, já havia morrido... Aí as resoluções perderam seu efeito de unir as Igrejas.

O Papa Martinho IV, em 1281, excomungou o imperador Miguel VIII, acusado injustamente de fomentar a heresia e o cisma.

Miguel VIII foi um nacionalista. Conquistou grandes vitórias contra os invasores turcos otomanos. Foi um grande homem do diálogo com a Igreja de Roma. Mesmo assim, ele foi ultrajado e incompreendido também na igreja grega, tanto assim que o sepultaram como apóstata***, em solo não sagrado.

Depois de Miguel VIII, os turcos continuaram sua invasão a tal ponto que o imperador bizantino João VIII chegou a propor a Roma a unificação das duas igrejas em troca de ajuda militar para combater os turcos.

O Papa Eugênio IV e o Concílio de Florença chegaram a assinar o Decreto de unificação das duas igrejas. Em 1274, porém, esse Decreto foi rejeitado pelo clero e pelo povo oriental.

Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, e passou a fazer parte do Império Otomano, quando morreu o último imperador grego numa batalha. Desse modo, os patriarcados de Antioquia, Jerusalém e Alexandria ficaram submetidos ao o sultão turco otomano, que passou a ter o poder de nomear os patriarcas, como o faziam os imperadores bizantinos

Até a queda de Constantinopla, 1453, os patriarcas russos submetiam-se aos patriarcas de Constantinopla, passando, depois da queda desta cidade, a considerar-se herdeiros espirituais de Bizâncio e líderes do mundo Ortodoxo.

 A queda de Constantinopla levou os príncipes russos a considerarem-se os sucessores dos imperadores bizantinos. Em 1930  o nome de Constantinopla foi mudado novamente, e passou a se chamar Istambul.

No século XIV o Patriarca de Kiev, sob a pressão dos mongóis, transferiu-se, em 1325, para Moscou.

Os séculos XIV e XV foram férteis em santos gregos (Santo Estevão, São Sérgio), e em missionários. Eles traduziram a Bíblia e levaram aos mongóis e às tribos pagãs do Leste e Norte da Rússia o Evangelho de Jesus. Conseguiram vencer os Tártaros. O imperador Ivan IV, em comemoração a essa vitória, mandou construir em Moscou, a Catedral de São Basílio.

Roma, Constantinopla e Moscou tornam-se, então, os grandes centros da cristandade.

No século XX foi revogada a excomunhão recíproca de 1054 entre as duas Igrejas, do Oriente e do Ocidente.

No Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965, o cardeal Willebrands, membro do Secretariado para a união dos cristãos, leu uma declaração conjunta da Igreja Católica de Roma e do Patriarca de Constantinopla, em que se declarava que a excomunhão proferida em 1054 visava aplicar-se tão só às pessoas a que havia sido endereçada e não às respectivas Igrejas. A mesma declaração conjunta foi lida na Igreja de São Jorge em Constantinopla.

Um abraço do Papa Paulo VI a Atenágoras, chefe da delegação ortodoxa, sancionou o ato jurídico da revogação das condenações e excomunhões mútuas.

O Papa Francisco por muitas vezes tem se encontrado com Patriarcas da Igreja Oriental no sentido de buscar conjuntamente a unidade das duas Igrejas, Oriental e Ocidental, resguardados os valores culturais de cada região. Sua influência e seu poder de diálogo tem conseguido maravilhas, respeito e grande interesse mútuo pela união das Igrejas. Certamente, com as inspirações do Divino Espírito Santo, com a sabedoria do Oriente e do Ocidente, em breve, poderemos cantar vitória no que se refere à união, para que haja um só rebanho e um só pastor.

Pe. Geraldo Ildeo Franco – 07/02/2016

PALAVRAS CHAVE

*MONOFISISMO: É uma doutrina herética cristã que afirma que Jesus Cristo possuía apenas a natureza divina. Surgiu no século V d.C., com as pregações de Eutíquio, falecido em 454. As igrejas da Armênia, a Jacobita da Síria e a Copta do Egito e da Etiópia abraçam esta doutrina como verdadeira. Mas o Cristianismo ortodoxo pós-moderno rejeita esta afirmação, pois, segundo a Bíblia, Jesus Cristo possuía duas naturezas, pois era Filho eterno de Deus e nascido de Maria, sem a participação de José. Ele era, portanto, cem por cento Deus e cem por cento homem.

**Bizâncio (em grego: Βυζάντιον; em latim: Byzantium) foi uma cidade  da Grécia Antiga, fundada por colonos gregos  da cidade de Mégara, em 658 a.C., que recebeu o nome de seu rei, Bizas ou Bizante (Βύζας ou Βύζαντας, em grego).

Os romanos latinizaram o nome para Byzantium. A cidade veio a se tornar o centro do Império Bizantino, a metade do Império Romano que falava o idioma grego, da Antiguidade tardia até a Idade Média, sob o nome de Constantinopla.

*** Apostasia (em grego antigo απόστασις [apóstasis], "estar longe de") tem o sentido de um afastamento definitivo e deliberado de alguma coisa, uma renúncia de sua anterior fé ou doutrinação.

A heresia consiste em negar uma ou algumas verdades da fé.

 A apostasia nega todas as verdades da fé de alguma religião.