O ADVENTO

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Advento (do latim Adventus), formado por quatro semanas, determina o início do tempo do Ano litúrgico, um tempo de preparação e alegria, de expectativa do Nascimento de Jesus Cristo. Tempo de  arrependimento, fraternidade e a Paz.

No final do século VII, em Roma, o tempo do advento foi enriquecido com o aspecto escatológico, recordando a segunda vinda do Senhor, passando a ser celebrado durante 4 domingos.

O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor Jesus, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.

O Advento possui duas características:

- Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos.

- As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós.

 Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa, de oração e de abertura para receber o Salvador na pessoa dos mais humildes e pobres.

O tempo do advento é um convite para que nós nos preparemos alegres na família, na comunidade e na Igreja, para que Jesus possa nascer hoje vivo em cada um de nós.

As quatro semanas do advento,antes do Natal, proporcionam para os cristãos católicos várias atividades como:

- Organizar o presépio em cada família.

- Participar na novena do Natal

- Celebrar a misericórida de Deus-Pai em nosso favor, com a confissão sacramental.

- Ler e conhecer os Evangelhos da infância de Jesus: Capítulos 1 e 2 de Mateus e de Lucas.

- Organizar na própria família momentos de oração, de convivência e de paz.

- Mostrar às crianças que o comércio gosta de vender e usa o papai Noel como propaganda, mas para nós interessa mesmo é Jesus que nos ensina a amar, viver a verdadeira alegria sem pecado, criando a justiça e a misericórdia.

- Fazer parte do grupo de reflexão da comunidade.

TEOLOGIA DO ADVENTO

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação. Evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo.

Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de fato, se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15).

O Advento recorda também o Deus da Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Apocalipse1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.

O caráter missionário do Advento manifesta-se na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar.  Toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.

A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

ESPIRITUALIDADE DO ADVENTO

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá. Daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual.

 A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na parusia (volta) do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Timóteo1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições.

O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo, não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, lutando incessantemente contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não a pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus e não dos bens terrenos. Pobreza que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.

O tempo do advento convida-nos a viver e a entrar em cheio na história da salvação, sabendo que Deus quer salvar toda a humanidade em Cristo Jesus.

 

 

FIGURAS BÍBLICAS FUNDAMENTAIS E LEMBRADAS NO TEMPO DO ADVENTO: ISAÍAS, JOÃO BATISTA, SÃO JOSÉ E MARIA

 

Isaías

Isaías é o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança ao povo israelita.

Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados.

As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. Ele que no capítulo 7 do seu livro já anuncia a vinda do Senhor

 

JOÃO BATISTA

JOÃO BATISTA é o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (Lucas 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).

A figura de João Batista, encarna todo o espírito do Advento, ao ser o precursor do Senhor, aponta Jesus como presença já estabelecida no meio do povo. Por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.

João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profetisas do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

 

SÃO JOSÉ

SÃO JOSÉ, nos textos bíblicos do Advento, se destaca,como o esposo da Virgem Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".

São José foi um homem justo por causa de sua fé, e assim se tornou modelo de fé dos que querem entrar em perfeito diálogo e comunhão com Deus.

 

A VIRGEM MARIA

Maria de Nazaré, aceitando o convite do Anjo Gabriel, que a saudou, a convidou e lhe comunicou os planos de Deus, tornou-se a protagonista de toda a obra da salvação oferecida por Deus à humanidade.

Preparada desde toda a eternidade, santificada pela Santíssima Trindade, colaborando totalmente com os planos divinos de salvação, Maria é a personagem central em quem aconteceu a concepção e a concretização do nascimento do Salvador Jesus para a remissão de toda ahumanidade.

Maria, serva, escrava do Senhor, fez-se obediente e servidora de Jesus, desde sua concepção, durante a vida de seu Filho, até a ressurreição e sua ascensão, continuando a ser presença e participação na Igreja nascente com os apóstolos.

Até hoje Maria vive na Igreja, intercedendo a Cristo por todos os seus filhos e fieis.

Pe. Geralso Ildeo – dezembro 2019