O DOGMA DA MATERNIDADE DIVINA

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para nos ajudar a mantermos o caminho rumo do Santuário vivo, que é Jesus” (CNBB, Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. P.81).

São quatro os Dogmas proclamados pela Igreja sobre a Virgem Maria:

- Maternidade Divina;

- Virgindade Perpétua,

 - Imaculada Conceição

- Assunção.

Os Dogmas mostram as verdades que os cristãos aceitam, aprofundam e vivenciam na comunidade de fé.

O Concilio de Éfeso (22/06/421) definiu explicitamente a maternidade divina de Nossa Senhora, afirmando: “Que seja excomungado quem não professar que Emanuel é verdadeiramente Deus e, portanto, que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois deu à luz segundo a carne aquele que é o Verbo de Deus”.

Em seu mistério profundo, Maria é Mãe de Deus. Como vocacionada do Pai, Maria aceitou livremente ser a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que assumiu nossa natureza humana.

Maria de Nazaré é a “Mãe de Deus”, como aparece na saudação que fazemos a Maria diariamente:  na Ave Maria, na Salve Rainha e na Ladainha de Nossa Senhora.

O Dogma da Maternidade divina de Maria é o mais antigo dogma mariano, proclamado oficialmente pela Igreja. Surgiu como reação às pregações de Nestório (380-451), patriarca de Constantinopla, anteriormente um bom pastor, mas incorreu na heresia que relativizava a divindade de Jesus.

Nestório afirmava duas naturezas de Cristo unidas, mas constituindo duas pessoas distintas. Por isso, manifestava que Maria é a Mãe do homem Jesus, mas não a Mãe de Deus. Consequentemente, Deus tinha habitado num homem, mas não se tinha feito homem. Conforme Nestório não teria existido completa e verdadeira encarnação. Com isso, a própria redenção do homem deveria cair por terra.

A heresia causou grave escândalo no meio do povo e do clero, provocando divisões e paixões dentro da Igreja.

O nestorianismo foi combatido por São Cirilo († 444), patriarca de Alexandria, que buscou recuperar a fé ortodoxa.

Em 430, o sínodo de Roma condenou as ideias de Nestório.

Desqualificando o nestorianismo, o Concílio de Éfeso definiu explicitamente que Maria é Mãe de Deus (Theotókos). Colocou o nestorianismo como heresia e depôs Nestório de sua sede patriarcal.

O povo acolheu com alegria e grande festa os resultados do Concílio.

O objetivo do Concílio de Éfeso era afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Maria é Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se encarnou. Maria não é a mãe apenas da carne humana, mas de toda a realidade de seu Filho, que tinha uma só Pessoa. Daí dizer que Maria é Mãe de Deus, não enquanto Deus sem mais, mas enquanto Deus feito homem. Portanto, “Theotókos” significa, teologicamente, não genitora da divindade, mas geradora do Verbo encarnado.

Orígenes de Alexandria († 250). Já reconhecia Maria com o título Mãe de Deus (Theotókos)

. São João Damasceno († 749) assim se exprimia sobre este Dogma: “Nós dizemos que Deus nasceu de Maria, não no sentido de que a divindade do Verbo dependia de Maria, mas no sentido de que o Verbo, o qual, fora antes do tempo, nasceu do Pai, é eterno como o Pai e o Espírito Santo; na plenitude dos tempos viveu em seu seio, para nossa salvação e sem mudança, tornou carne e nasceu dela. A Virgem não gerou simplesmente um homem, mas um verdadeiro Deus, Deus não sem carne, mas feito carne”.

O Dogma da maternidade divina de Maria tem fundamento bíblico.

 Os evangelhos referem-se, várias vezes, a Maria como a Mãe de Jesus.

Com o título de “Mãe”, a Virgem Santíssima é designada 25 vezes no Novo Testamento.

São Paulo afirma que Jesus Cristo, aquele que foi enviado do Pai, é filho de Maria - Gálatas 4,4.

A fundamentação bíblica encontra-se em todos os evangelistas (Lucas 1,35.39-44.56; Mc 6,3; Mateus 1,18-25; Joao 6,42).

A maternidade divina de Maria é a base e o princípio fundamental da teologia marial. Está na origem dos demais dogmas marianos. Todas as graças, privilégios e títulos de Maria estão fundamentados nesta verdade mariana.

A maternidade divina de Maria é a chave explicativa de seu mistério e missão. Mais do que um privilegio pessoal, a maternidade de Nossa Senhora está a serviço da salvação do povo.

O dogma da maternidade divina nos ensina que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana. “Proclamar Maria Mãe de Deus significa proclamar que, realmente, o Reino de Deus ‘já está no meio de nós’ (Lucas 17,21; Mateus 4,17).

O dogma da maternidade divina nos ensina que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana, (Lc 17,21; Mt 4,17). Deus já está dentro de nossa história e é um dos nossos, tendo assumido tudo, menos o pecado. Maria é aquela que, em nosso nome, colaborou para que isso acontecesse” (Dom Murilo S.R. Krieger, bispo e escritor mariano).

Pe. Geraldo Ildeo Franco – dezembro 2019