“O SANGUE DOS MÁRTIRES CRISTÃOS É SEMENTE PARA FAZER BROTAR MAIS CRISTÃOS”

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Muitos cristãos mártires deram e dão sua vida por serem cristãos. Eram pessoas convictas e convertidas a Jesus Cristo. Sabiam que a vida neste mundo é passageira e estavam em busca da vida eterna. Não traíam. Não se afastavam da religião. Não negavam o Cristo e sua Igreja.

O imperador romano Nero Agripa, iniciou a perseguição aos cristãos em 64 D.C. A tirânica fúria desse imperador foi cruel contra os cristãos, a ponto de —conforme registra Eusébio — encher cidades de cadáveres humanos, mostrando velhos jazendo ao lado de jovens e corpos de mulheres abandonadas nuas, no meio da rua sem respeito algum pelo seu corpo.

Muitos cristãos daqueles dias que, vendo as obscenas abominações e a intolerável crueldade de Nero, o consideravam como o anticristo, quando matou Pedro e Paulo.

O cristianismo não aceitava que o imperador fosse adorado como um deus. Um grande incêndio ocorreu em Roma, destruindo grande parte da cidade. Os cristãos foram acusados por Nero como a causa desse terrível incêndio.

No ano de 64 D.C. Nero promoveu a famosa “Iluminação humana” na cidade. No decorrer da Via Ápia, mandou amarrar os cristãos aos postes, cobertos com picheem comemoração por ter sido feito a “justiça”, matando os cristãos acusados do incêndio em Roma. Ateou fogo em todos, iluminando a noite romana.

Os cristãos sempre foram, são e serão perseguidos, por incomodarem os injustos e os falsos. O governo romano e muitos pagãos acusavam os seguidores de Jesus de serem canibais e que promoviam orgias secretas Os cristãos não se deixavam influenciar pelo paganismo. Não frequentavam as festas romanas, nem aos espetáculos de pornografia e de horror. Por isso também eram difamados, perseguidos e assassinados.

Com o surgimento dos mártires, os cristãos deveram participar da Eucaristia nas catacumbas romanas, onde jaziam os corpos dos santos, daqueles que deram a vida pelo Senhor Jesus.

Também as capelas mortuárias dos cemitérios eram usadas para o culto dos cristãos, principalmente nas épocas de perseguição, aproveitando-se da lei romana que considerava sagrados e invioláveis os cemitérios.

As Catacumbas romanas, cemitérios subterrâneos existentes em torno de Roma, ainda mostram em suas paredes os afrescos de pinturas religiosas, murais que são considerados os mais antigos exemplos da arte cristã.

Os cristãos sofriam as piores humilhações. Sua morte era perpetrada pelos mais cruéis suplícios: açoites e flagelos, estiramentos, dilacerações, apedrejamentos, lâminas de ferro em brasa aplicadas aos seus corpos, profundas masmorras, rodas de tortura, estrangulamentos nas prisões, rasgados com dentes de animais selvagens, grelhas, patíbulos e arremessos sobre os chifres de touros. Os seus corpos eram amontoados e, junto a eles, deixavam cães para guardá-los, a fim de que ninguém pudesse vir dar-lhes sepultura digna. Contudo, apesar de todas essas contínuas perseguições e castigos horríveis, a Igreja crescia a cada dia, pela fé inquebrável em Jesus Cristo, profundamente enraizada na doutrina dos apóstolos e dos homens apostólicos e abundantemente regada pelo sangue de santos.

As homiliase as mortes dos cristãos provocavam muitas conversões entre as classes mais pobres. Muitos eruditos consideravam o cristianismo como algo de gente ignorante e sem nenhum sentido. Os escritores cristãos, (os apologistas) defendendo a fé em Jesus Cristo, conseguiram mudar a mente de muitos que perseguiam os cristãos, convertendo-os para o rebanho da Igreja de Cristo.

A partir de denúncias caluniosas,aconteciam muitas condenações contra os cristãos que se recusavam a prestar culto ao imperador.

Durante o reinado de Marco Aurélio muitos cristãos sofreram crudelíssimos tormentos e castigos.

Sobre o martírio de São Policarpo, bispo de Esmirna, Eusébio informou a respeito de uma carta escrita por membros da igreja aos cristãos do mundo inteiro, narrando o seu martírio no estádio da cidade. O próprio Policarpo subiu na fogueira e testemunhou para o povo: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o Vosso Nome adorável seja glorificado por todos os séculos”. Policarpo(muitos frutos) produziu muitos frutos, muitas conversões, que foram regados com suor, lágrimas e, no seu martírio no ano de 155, “lavados também com sangue do Cordeiro”.

Em 202, o Imperador Sétimo, o Severo, proibiu o proselitismo (propaganda religiosa). Não permitiu ainda a pregação cristã entre o povo.

 Em 250 Décio fez reviver o culto ao imperador e a adoração aos deuses. Mandou esculpir estátuas suas e as espalhou pela cidade de Roma, para que fossem adoradas. Pela sua fé inquebrável, os cristãos ganharam um novo nome: “Os confessores da fé”.

O Imperador Valeriano (anos 257 e 258), proibiu as manifestações externas da fé cristã, bem como o casamento entre cristãos e não cristãos. Exigiu sacrifícios aos deuses, sob pena de confisco de bens, exílio, tortura ou morte.

Nesse período grandes santos foram mortos por serem cristãos: São Lourenço e São Cipriano.

Galieno, sucessor de Valeriano,amenizou um pouco a perseguição contra os cristãos, devolvendo-lhes os bens confiscados.

Algumas conversões ao crstianismo começaram a surgir entre as classes ricas e intelectuais. Os cristãos não tinham dinheiro para construir seus templos. Quando se reuniam, usavam algum edifício que estivesse disponível, ou casas comuns, emprestadas ou doadas por um converso rico.

Em Óstia, antigo porto de Roma, na foz do Tibre, ainda existem as ruínas de uma dessas primitivas igrejas domésticas, datando provavelmente da época de Constantino.

Em 303,o imperador Diocleciano, por motivos ligados ao desejo de restaurar a unidade político-religiosa do império romano, aumentouainda mais a perseguição contra os cristãos: destruição dos templos cristãos e dos livros sagrados, e a cassação do mandato de todos os cristãos que ocupavam cargos públicos.

A perseguição aos cristãos só cessou em fevereiro de 313,quando Constantino publicou o Edito de Milão, dando liberdade religiosa aos cristãos.

Os primeiros cristãos, quanto mais perseguidos, tanto mais se fortaleciam na fé e assumiam ainda mais a vivência dos valores cristãos como a caridade, a fraternidade, o amor pelos pobres e a preservação da família. Por isso se disse que “o sangue dos cristãos era semente para produzir mais cristãos convictos”.

Os mártires nos ensinam que ser cristão é assumir Jesus Cristo ressuscitado em sua missão totalmente. É ter uma fé inquebrável na vida eterna. É ter coragem de ser profeta da verdade e da eterna vida. Ser cristão é crer que a vida neste mundo é passageira. É seguir a Jesus integralmente construindo o Reino da paz, do amor, da fraternidade, da justiça e da misericórdia.

Pe. Geraldo Ildeo Franco – janeiro 2020