O EVANGELHO DE LUCAS – Parte I

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

O Evangelho de Lucas contém 24 capítulos. Foi escrito a partir de uma pesquisa e de uma coletânea de dados colhidos nas comunidades, portanto, 50 anos depois da Ressurreição. Lucas escreveu, em estilo grego, para pagãos gregos convertidos ao cristianismo que não conheciam o Antigo Testamento. As fontes de onde Lucas tirou dados e notícias sobre Jesus já viviam uma fé em Cristo Ressuscitado. Lucas retrata uma teologia de comunidades cristãs neo convertidas que necessitavam de conhecer melhor o Jesus ressuscitado da fé, da misericórdia, do respeito aos pobres e às mulheres. O rico evangelho de Lucas se nos apresenta como um convite a viver os valores de Jesus, o Filho de Deus, o Salvador, o Ressuscitado, o Cristo mais forte do que a Morte.

 IDEIAS CENTRAIS DO EVANGELHO DE LUCAS

1) A introdução do Evangelho de Lucas: Trata-se de um prólogo cristológico comparável ao evangelho de João (João 1,1-18). Contém narrações sobre a infância de Jesus (1,5-4,13). Identifica quem é Jesus, numa série de mensagens reveladas, que o proclamam concebido pelo Espírito Santo, Filho de Deus (1,35 - Disse o Anjo a Maria: “por isso, aquele que vai nascer será santo e será chamado filho de Deus”),  o Salvador e Cristo Senhor. O decreto de César ordenando o recenseamento faz José e Maria viajarem mais de 120 km, de Nazaré até o Sul para o recenseamento, quando Jesus nasce num ambiente pobre em Belém de Judá. Jesus obedece, apesar de que o verdadeiro Rei é Deus.

(2,1). Jesus é a salvação de Deus e luz dos pagãos (2,30.32 – Zacarias proclama: “meu olhos viram a tua salvação que preparaste para todos os povos, luz para a revelação aos pagãos e glória de Israel, teu povo”), rejeitado da massa do seu povo (2,34 – “ele está aí para a queda e o soerguimento de muitos em Israel e para um sinal contestador...”).

2) Em Lucas o prelúdio da missão de Jesus (3,1-4,13 – vocação profética de João Batista – batismo de Jesus) comporta, como em Mateus, e em Marcos, a missão do Batista, o batismo de Jesus e sua vitória inicial sobre a oposição e o demônio tentador, com a vitória evidente de Jesus. Discorrendo sobre João Batista, Lucas distingue o tempo do Batista da Antiga Aliança e o tempo de Jesus, a Nova Aliança.

A genealogia faz Jesus descender de Adão, ressaltando, assim, a ligação de Jesus com toda a humanidade (3,23-38 – no batismo de Jesus no Jordão: “tu és o meu filho, hoje, eu te gerei”).

3) O início da missão de Jesus acontece na Galileia: (4,14-9,50; 23,5 e Atos 10, 37 – Pedro afirma em Jope: “Vós o sabeis. O acontecimento se espalhou por toda a Judeia; Jesus começou pela Galileia, após o batismo proclamado por João”). Tem seu começo na Sinagoga de Nazaré (4,16-30) que prefigura toda a sequência do Evangelho: anúncio da salvação, rejeição dos ouvintes, alusão à salvação dos pagãos, ameaça de morte.

4) Na primeira parte do evangelho (4,31-6,11) Lucas segue a ordem de Marcos (Mc 1,16-36). Jesus é apresentado diante da multidão, dos primeiros discípulos, dos adversários e nas controvérsias.

5) Na segunda parte (6,12-7,52) começa com o chamamento dos Doze e inclui os ensinamentos de Jesus aos seus discípulos no discurso das Bem-aventuranças.

6) Na terceira parte (8,1-9,50), em paralelo com Marcos (4,1 - 9,40), Lucas liga a missão dos Doze à missão de Jesus (8,1 a 9,50).

- Eles são enviados a proclamar o Reino de Deus (9,1-6).

- Participam da multiplicação dos pães (9,12).

- Jesus os intima a se pronunciarem a seu respeito.

- Pedro reconhece nele “o Ungido, o Cristo de Deus” (9,20), uma declaração de fé imediatamente completada pelo Mestre, que se define como o Messias votado à morte (9,22) e pelo próprio Deus, que proclama Jesus como o seu Filho durante a Transfiguração.

7. A subida, a viagem a Jerusalém: (9,51-19,28), onde acontecerá o cerne de tudo o que se refira à páscoa de Jesus: sua prisão, sua paixão, morte e ressurreição.

- (Jerusalém se localiza num alto) - “Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (9,51). O Mestre toma a estrada de Jerusalém, a cidade santa, onde deveria se realizar a obra da salvação. A palavra de Jesus, então, prevalece sobre os milagres e a exortação sobre a apresentação do ministério de Cristo (exceto em 10,21: “naquela hora ele exultou no Espírito Santo e disse: “eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, assim foi do teu agrado” - (12,49-50; 18,31-33; e 19,12-15).

Pe. Gildeo – fevereiro 2016