TRÍDUO EM PREPARAÇÃO À FESTA DE CORPUS CHRISTI

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

PRIMEIRO DIA DO TRÍDUO

 dia 26 de maio de 2016

OS SACRIFÍCIOS NAS RELIGIÕES

Todos os povos em todos os tempos e lugares têm uma religião com sua cosmovisão própria. As religiões podem ser mono, di, tri, tetra, penta e politeístas. As religiões têm seus mitos, lendas e fábulas para explicar o que eles não conseguem como a origem da vida, do amor, das doenças das estações, das tempestades, do amor, do ódio e da morte. Os mitos são celebrados com rituais especialmente com sacrifícios.

Todas as Religiões, antigas e ou primitivas têm rituais em que aplacam os seus deuses. Os sacrifícios consistem em oferecerá divindade: sacrifícios incruentos, sem sangue: primícias: frutas, grãos e primogênitos - e sacrifícios cruentos, com sangue: animais e até pessoas, em geral machos e primogênitos - sobre um altar, por uma pessoa escolhida e qualificada, que assumia a função sacerdotal de interceder aos deuses pelo seu povo.

A finalidade dos sacrifícios era: agradecer aos deuses, pedir perdão, pedir chuva, pedir saúde, louvar, festejar, celebrar os momentos festivos, de tristeza e de funerais.

Os medos e os anseios, as dúvidas sobre a vida e sobre a morte, sobre a culpa e sobre a natureza fizeram nascer as religiões. As religiões começam a organizar seus ritos e mitos desde o tempo em que os primitivos começaram a sepultar seus mortos e a perceber que realmente existe um Ser Criador que fez e controla a vida e a natureza.

Os rituais e os sacrifícios visavam atender às exigências dos deuses em quem acreditavam. Assim pensavam os homens desde o início da sua consciência da existência de um ou de vários deuses:

Os deuses necessitam do sacrifício para seu sustento e para a manutenção de seu poder, que diminuiria sem o sacrifício.

Os bens sacrificiais são utilizados para realizar uma troca com os deuses, que prometeram favores aos homens em retribuição pelos sacrifícios.

A vida e o sangue das vítimas dos sacrifícios contêm mana ou algum outro poder sobrenatural, cuja oferenda agrada os deuses

A vítima do sacrifício é oferecida como bode expiatório, um alvo para a ira dos deuses, que de outra maneira recairia sobre todos os homens.

Os sacrifícios privam as pessoas de comida e de outras comodidades, e como tal constituem uma disciplina ascética.

Coisas sacrificadas geralmente se tornam parte da renda da organização religiosa, por vezes base da economia para sustentar seus grupos e seus lideres.

O sacrifício é, na verdade, parte de uma cerimônia. Por vezes é consumido pelos fiéis. Habitualmente incorpora uma forma de redistribuição em que os pobres obtêm parcela maior do que sua contribuição.

Na Bíblia hebraica, Deus ordena que os israelitas ofereçam sacrifícios de animais no santuário, ou tabernáculo. Quando os israelitas já haviam chegado à terra de Canaã, ordenou-se que todos os sacrifícios terminassem, exceto os que aconteciam no Templo de Jerusalém. Na Bíblia, Deus pede sacrifícios como um sinal de sua aliança com povo de Israel. O sacrifício também era feito para que Deus perdoasse os pecados, uma vez que o animal estaria sendo punido no lugar do pecador.

No Novo Testamento, o sacrifício é tido por desnecessário, visto que Jesus Cristo cumpriu todas as exigências da lei judaica em vida e na morte, oferendo-se como sacrifício expiatório, isto é, como o próprio animal que receberia o castigo pela culpa dos homens.

 

SEGUNDO DIA DO TRÍDUO

 

TERCEIRO LIVRO DO PENTATEUCO: LEVÍTICO – O LIVRO DO CÓDIGO DA SANTIDADE E DOS RITUAIS

 O povo de Israel, prestes a se transformar em uma nação, era o povo escolhido por Javé no Antigo Testamento. Javé escolhera este povo sem nenhum tipo de critério ou merecimento e os libertara da escravidão do Egito para os encaminhar para a terra que prometera aos seus antepassados. Esta terra seria o local onde o povo escolhido deveria servir de testemunho para outras nações (Genesis 12,3), e não o deserto.

Portanto, este povo, formado por ex-escravos, precisava, além da terra prometida, de uma lei, um código de conduta, pois nesta terra eles teriam contato com as práticas de povos pagãos. O livro de Levítico contém este código para o povo da aliança, pois reflete a vida santa que este povo deveria ter por causa desta aliança (Lv. 20,26), confrontando estas práticas pagãs com a maneira correta de adorar ao único Deus.

O livro do Êxodo descreve a revelação e a construção do lugar de adoração do povo da aliança, o Tabernáculo (Ex. 25 – 31); o livro de Levítico descreve os detalhes da forma de adoração que este povo deveria prestar a Javé no tabernáculo.

O nome Levítico vem do grego, e significa “o que é relativo aos levitas”. O nome hebraico do livro é “E chamou”, tirado das primeiras palavras do primeiro versículo.

Contexto cultural

 Não eram apenas os hebreus que tinham um sistema religioso composto de sacrifícios e sacerdotes no antigo Oriente Médio. Povos egípcios e cananeus realizavam holocaustos, ofertas de comunhão, tinham lugar próprio de adoração das divindades e demais rituais semelhantes aos israelitas.

Porém, algumas diferenças mantinham o povo de Israel distinto do sistema religioso de outros povos, tais como:

O caráter santo e justo de Javé em contraste com os deuses “humanizados” dos pagãos

A proibição de sacrifícios humanos

Estrutura de Levítico

O livro de Levítico deve ser lido como uma continuação dos capítulos 25 a 40 de Êxodo, pois a primeira expressão do livro “e chamou o Senhor a Moisés” sugere esta estrutura, que na realidade vai até o livro de Números 10,10, narrando o primeiro ano do nascimento da nação de Israel.

As leis são discursos que Javé diz a Moisés, para que ele transmita ao povo. Estas leis eram para todo povo, pois tratava sobre os procedimentos de culto, festas solenes, instruções para os sacrifícios e diretrizes gerais para que a vida religiosa não fosse desassociada da vida civil. De 1,1 a 7,38 as Leis regulavam os oferecimentos dos sacrifícios para Javé.

Propósito e conteúdo do livro do Levítico

O propósito do livro de Levítico é expresso pela ordem dada no capítulo 11 versos 44 e 45: “… consagrem-se, sejam santos porque eu sou santo…”, uma vez que o povo de Israel fora chamado para cumprir uma missão (ser benção a todas as famílias da terra), por causa do ato redentor de Javé ao executar o Êxodo dos descendentes de Jacó do Egito (Lv. 22,32-33).

Portanto, Levítico é um manual de santidade pelo qual o povo escolhido, o futuro reino de sacerdotes e nação santa (Ex. 19,6), deveria adorar a Javé para usufruir as bênçãos prometidas (Lv. 26,1-13).

Sacrifício

Embora os sistemas sacrificiais entre os povos antigos tivessem a idéia de aplacar a ira dos deuses, o sistema dos hebreus era diferente, pois era revelado divinamente. Além disso, o sistema sacrificial dos hebreus apontava para a uma ética pessoal e comunitária elevada, e também para uma vida de santidade.

De acordo com Levítico 17,11, a vida está no sangue, portanto o sangue no altar simbolizava a purificação da presença de Deus (Hebreus 9,21-22). O propósito era preservar a santidade da presença de Deus no meio do povo. A descontaminação realizada por meio do sacrifício de sangue tornava o ofertante puro e permitia a reconciliação com Deus.

Os sacrifícios de animais não eram realizados para a salvação dos pecados das pessoas, mas preservavam a santidade da presença de Deus no meio do povo e permitiam um relacionamento saudável entre Javé e o povo, pois o ritual era simbólico que revelava a atitude interna do ofertante. O propósito dos sacrifícios era também adorar a Deus pela sua presença entre o povo da aliança, e representava a santidade de Deus em contraste com o pecado humano.

 

TERCEIRO DIA DO TRIDUO:

 

Sacrifício no Cristianismo

 

O ritual do sacrifício é a base do entendimento da obra redentora de Jesus, tendo sido reconhecido como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João. 1,29-34). Em outros trechos, a morte de Jesus foi entendida como o sacrifício oferecido de uma vez por todas pelos pecados da humanidade (Romanos 5,6-11; B 10,10-12). O livro de Hebreus traz uma comparação entre o Dia da Expiação com a morte de Jesus (Lv 16 <-> B 9-10).

Para a maior parte da Igreja Cristã (Católica e Ortodoxa), O sacrifício, em geral, consiste em oferecer a Deus uma coisa sensível, e destruí-la de alguma maneira, para reconhecer o supremo domínio que Ele tem sobre nós e sobre todas as coisas.

 A Santa Missa é o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos de seus sacerdotes. A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os altares, debaixo das espécies de pão e de vinho em memória do sacrifício da Cruz.

O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferecem pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando, todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

O Sacrifício da Cruz é o único sacrifício da Nova Lei segundo os cristãos, porquanto por ele Jesus Cristo aplacou a Justiça Divina, adquiriu todos os merecimentos necessários para nos salvar, e assim consumou da sua parte a nossa redenção. São estes merecimentos que Ele nos aplica pelos meios que instituiu na sua Igreja, entre os quais está o Santo Sacrifício da Missa.

A Missa chega a seu ápice com as palavras da consagração, momento em que ocorre o sacrifício propriamente dito.

As palavras da consagração do Pão e do Vinho na Missa Latina são respectivamente: 

HOC EST ENIM CORPUS MEUM | ISTO É O MEU CORPO

HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI, NOVI ET AETERNI TESTAMENTI: MYSTERIUM FIDEI: QUI PRO VOBIS ET PRO MULTIS EFFUNDETUR IN REMISSIONEM PECCATORUM | ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, DO NOVO E ETERNO TESTAMENTO: MISTÉRIO DA FÉ: QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS