A ESPIRITUALIDADE

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

O que é espiritualidade? Surge a pergunta: mas então, quando falamos de espiritualidade cristã, o que entendemos por espírito? 

A tradição cultural do Ocidente entende por espírito o modo de existir próprio do ser humano, modo que o distingue dos outros níveis de ser, tais como o vegetal e o animal. Espírito não é, portanto, algo oposto ao corpo.

Espírito é o modo de existir que tem como apanágio deixar-se atingir e abrir-se à dimensão originária que chamamos de Deus-mistério. Mas o Deus-mistério não é o que está além do nosso alcance, não é o estranho longínquo, o misterioso, o enigmático, o abstraio.

Ele é, pelo contrário, o aquém, isto é, a intimidade mais íntima da interioridade de nós mesmos.

As palavras deus, transcendência, selbst, ser, psique são definições pelas quais a teologia, a filosofia, a psicologia tentam dizer algo acerca do Deus-mistério.

Assim ser espírito é a experiência maior do ser humano, experiência que constitui sua identidade. Esta experiência busca compreender-se, organizar-se, tematizar-se.

Dessa elaboração surge o que chamamos de espiritualidade que não é outra coisa do que o cuidado, a cura, o amor disso que somos, espírito. Espiritualidade não é disciplina de ensino, não é ciência do saber. Ela é, porém, verdadeiro saber, saber comprovado por evidências vitais; por isso a espiritualidade é uma verdadeira ciência, numa compreensão da palavra ciência diferente da usual e comum, própria do nosso sistema de ciências físicas, matemáticas, biológicas e humanas.

Se o espírito é a experiência mais radical, então a espiritualidade exige radical conversão do nosso modo de ser. Essa conversão no Ocidente recebeu o nome de mística, entendida não como atividade privilegiada de alguns contemplativos, nem como vivência sentimental da alma piedosa, mas como busca radical do Deus-mistério. 

Por ser radical, ela exige o total engajamento da nossa liberdade. A essência da mística cristã é, pois, esse engajamento de busca do Deus-mistério.

A crise da sociedade atual provém do total esquecimento do espírito. Esquecimento que relegou a espiritualidade e a mística a um plano secundário.

É preciso resgatar o sentido profundo da mística, não como uma atividade piedosa do homem, mas como um empenho vital que se concretiza na realidade do dia-a-dia. O pensamento, a arte, a ciência, até o esporte, quando atingidos pela seriedade radical da mística, abrem-se em diferentes vias à acolhida incondicional do Deus-mistério, lá onde se acha o manancial do espírito, a espiritualidade.

O Deus-mistério, porém, ultrapassa nossas duas possibilidades de conhecimento, os sentidos e o intelecto. Ele é inacessível a partir de nós mesmos. Mas Deus se revelou no Evangelho (a boa nova!) de Jesus Cristo, em suas belas e sábias palavras e em nas atitudes que comprometiam seu próprio viver. 

Assim, tudo de espiritual que é aprendido no âmbito da fé não vem de nossas experiências intelectuais, mas da dimensão de Deus. A esse mundo inacessível a tradição eclesial ocidental chamou de sobrenatural, diferenciando-o do natural (mundo sensível e inteligível).

Portanto, na experiência cristã, as palavras espiritual, espiritualidade têm o sentido, pura e simplesmente, de empenho de dinamizar o espírito, a existência que somos a partir e iluminados pelo discipulado (aprendizagem) do seguimento de Jesus Cristo, feito a dinâmica maior de nossa vida. Por isso, para nós cristãos, a verdadeira espiritualidade é o seguimento radical de Jesus Cristo.

 

ESPIRITUALIDADE NO CATECISMO CATÓLICO

 A espiritualidade conforme o Catecismo Católico é vivida e ensinada por Jesus é esta: “Amarás o próximo como a ti mesmo – João 15,12.

Espiritualidade cristã. Veja-se o Catecismo católico – números 2188 – 2693 – 2697 – 2014 – 2848:Não cair em tentação. Não pecar.

2014: O progresso espiritual consiste em nos unir a Cristo, aos irmãos, aos pobres. A vivência sacramental nos leva a uma espiritualidade ligada a Cristo e aos irmãos (mística). A caridade nos leva aos Sacramentos.

2693: Na oração, a Igreja se une aos Santos e pede sua intercessão

Há vários tipos de oração. Todas devem nos levar a Jesus, à Igreja e aos irmãos.

Os grupos de oração não têm sentido se quiserem ter uma espiritualidade isolada e independente. Não podem ficar isolados dos Ministros Ordenados e da caridade fraterna. A Igreja é o lugar privilegiado de oração, de adoração, de reflexão, da presença real do Santíssimo Sacramento

 

A ESPIRITUALIDADE CRISTÃ-CATÓLICA

- A fé sem obras é morta. Rezar, louvar, cantar, adorar, elogiar Jesus ... mas sempre repartir o pão e lavar os pés dos irmãos – João 6 e 13.

- Rezar, pregar, celebrar, mas viver a justiça – Mateus 5 e 6.

- Jesus derramou seu sangue por nós. A espiritualidade cristã-católica exige de nós renúncia, sacrifício, doação, participação na comunidade

- A espiritualidade cristã-católica nos faz optar pelos pobres – Mateus 25.

- O Papa Francisco fala da conversão ecológica. A nova espiritualidade cristã-católica nos faz responsáveis por cuidarmos da casa comum para a nossa própria sobrevivência.

- A alegria de amar, de servir, de ajudar, de partilhar é a melhor via para vivermos a espiritualidade cristã-católica –Leia-se a AMORIS LETITIA.

- Anunciar o Evangelho com alegria – Evangelii gaudium.

 

HÁ VÁRIOS TIPOS DE ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade cristão baseia-se em Jesus Cristo encarnado na Igreja. Não pode existir espiritualidade apenas na oração, adoração, louvor ou qualquer tipo de prática religiosa sem AÇÃO, SEM PROFETISMO, SEM PARTICIPAÇÃO NO SACERDÓCIO DE CRISTO E DO SACERDÓCIO COMUM DOS FIEIS E SEM OS OBJETIVOS DE SE CONSTRUIR AQUI NO MUNDO O REINO DE DEUS: JUSTIÇA, PAZ, FRATERNIDADE, MISERICÓRDIA, BOAS OBRAS ETC.

Vivendo a espiritualidade cristã-católica, não podemos enquadrar as pessoas no mesmo tipo de espiritualidade. Além disso, são varias as culturas no mundo nos cinco Continentes. A cultura Oriental não pode ser igual à da África nem da América. Deve haver respeito e consideração para com os diversos tipos de cultura e de manifestações religiosas e espirituais. Mesmo dentro da Igreja, no mesmo País, há manifestações diferentes de religiosidade e de espiritualidade. O povo Nordestino é bem diferente em suas manifestações espirituais do povo do Sul do Brasil.

 

ESPIRITUALIDADE LITURGICO CELEBRATIVA

A Constituição Dogmática Sacrossanctum Concilium dá abertura às diversas maneiras de se celebrar o Mistério Pascal. Reconhece, respeita e valoriza a riqueza cultural dos diversos povos em suas manifestações religiosas e rituais e cultuais. Incentiva a participação dos fieis nas celebrações do Sacramento que devem deixar de ser meros assistentes ou ouvintes para se tornarem participantes da vida litúrgica da Igreja.

- Diante da abertura da Igreja, desde o Concilio Vaticano II, podemos constatar e valorizar várias manifestações e devoções populares, comunitárias e eclesiais:

 Eucaristia: da celebração do Mistério Pascal, pedindo perdão, glorificando a Deus, ouvindo a Palavra, participando das oferendas, consagrando o pão e o vinho, memorial da nova Aliança entre Deus, por Jesus, e os homens. A Eucaristia é a fonte e o cume de toda a vida espiritual da Igreja. Por isso, obedece a regras ditadas pelas comissões de liturgia da Igreja, atendendo às normas e culturas de cada diocese. Como se trata de uma oração oficial da Igreja e como Jesus é o centro de toda a celebração eucarística, nós, por nossa conta, não podemos introduzir modificações que mudem o sentido da Missa.

As celebrações eucarísticas apresentam temas e assuntos específicos que EXIGEM adequadamente vários aparatos, que devem ser obedecidos, como: acolhida, música, leituras, ornamentação, cores, homilia e mensagens.

 “Não podemos, por exemplo, numa missa de Natal, Páscoa, Pentecostes, Santíssima Trindade, modificar as leituras e músicas, dar testemunho de si próprio, acrescentar ‘penduricalhos” que não se refiram ao assunto específico da celebração. O centro da celebração é a Santíssima Trindade e não nem nunca o celebrante. Observe-se ainda que a música é parte fundamental da celebração eucarística. Celebrante, animador, leitor, MESC, coroinhas e música formam um corpo vivo a serviço de Jesus e da assembleia.

Celebração sem padre: esta celebração, especialmente no domingo ou no Tríduo Pascal, SEGUEM exatamente as orientações litúrgicas e pastorais, de acordo com as orientações da Igreja, diocese e paróquia. O esquema da celebração é idêntico ao da Missa.

 O Ministro extraordinário da Palavra, não pode “criar, inventar, modificar, desviar” o sentido exigido pela liturgia do dia. Segue-se o roteiro previsto e autorizado para as celebrações sem padre. É proibido falar de si. Além disso, o Ministro extraordinário da Palavra, deve agir na celebração, de acordo com as músicas, leitores, animadores. Celebra e faz exclusiva e somente o que lhe seja atribuído. O ministro da Palavra NÃO invada a área dos MESCs. Os MESCs têm sua função clara e específica nas celebrações sem padre. Não se confunda louvor com a celebração sem padre.

Missa ou celebração com crianças: Segue exatamente as normas da celebração da Eucaristia. Claro, a homilia e a participação das crianças, bem como as músicas sejam adaptadas à cabeça das crianças. Nessas celebrações não podemos desconhecer a presença dos adultos, que, em geral é maior do que a das crianças.

Louvor: Os momentos de louvor, de música, de contemplação, de meditação, de oração em grupos oferecem rica oportunidade para que os interessados se expressem mais espontaneamente. Gestos largos, palmas, exclamações, expressões verbais e corporais de amor a Jesus, orações surgem espontâneas, dando vida aos encontros de louvor... é muito pouco.  Os encontros de louvor têm tanto mais sentido quanto mais estejam ligados à Eucaristia, às pastorais, à evangelização e à catequese. Só louvar isolado da Eucaristia e das pastorais pode ser uma contradição.

Hora Santa e Adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia: Trata-se de uma devoção de amor ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Cremos que, quando nos reunimos em oração, Jesus está presente no meio de nós: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.” (Mt 18,20). A Hora santa nos leva a estar com Jesus, a lhe fazer companhia por essa hora. Reunidos para este momento de oração e adoração do Cristo presente no Sacramento Eucarístico e abrindo-lhe o coração, pedimos por nós mesmos e por todos, pela paz e salvação do mundo. Oferecendo com Cristo toda nossa vida ao Pai.

A Hora santa contém diversas manifestações de fé e de intimidade com Jesus: orações, música, silêncio, reflexões, ladainhas, preces espontâneas. Fica-se ajoelhado, em pé, assentado, dependendo do que se exija a oração do momento.

Novenas, devocionários, procissões, rogações, ladainhas, peregrinações e muitas outras expressões de religiosidade são válidas porque nascem da fé da religiosidade popular. Com frequência elas acontecem de virem misturadas com expressões de superstição, de crenças espíritas, mesclas com crendices de religiões africanas e até desvirtuadas do mesmo cristianismo. Por isso, cabe aos pastoralistas participar, respeitar, acompanhar, conhecer melhor para poderem oferecer algo mais que esteja em conformidade com a Bíblia, com a Teologia cristã e católica e com as orientações litúrgicas e catequéticas da Igreja.

Récita do Rosário e do Terço meditados

Devoções populares

Devoção aos Santos

Promessas feitas a Deus

Peregrinações a Santuários

Ofertas feitas aos Santos: dinheiro, animais, frutas, terrenos, móveis, imóveis, herança, joias etc.

 

MODOS DIFERENTES DE SE VIVER A ESPIRITUALIDADE

- Espiritualidade do casal cristão católica

- Espiritualidade sacerdotal

- Espiritualidade dos missionários

- Espiritualidade do cristão na sociedade, na política, nos negócios

- Espirtualidade na vida religiosa, nos conventos, nos mosteiros

- Espiritualidade franciscana: opção pela vida pobre.

- Espiritualidade dominicana: viver os ensinamentos da Teologia, da Santíssima Trindade

- Espiritualidade Carmelita: oração, contemplação, vivência dos valores evangélicos

- Espiritualidade beneditina – ora et labora

- A espiritualidade do padre diocesano – secular: viver seus votos a serviço do povo e de Deus

- Espiritualidade salesiana – Dom Bosco: trabalho, dedicação aos jovens mais pobres e transformá-los em bons cidadãos e perfeitos cristãos.

- Espiritualidade da empregada doméstica, do operário, do motorista, do comerciante, do bancário, do médico, do professor etc.

 

ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA

A espiritualidade do catequista baseia-se em Jesus, no serviço do anúncio do evangelho.

- O catequista DEVE ser uma pessoa convertida totalmente ao evangelho. Se não for uma pessoa CONVERTIDA, é melhor não trabalhar na catequese.

- O catequista escuta a Palavra de Deus e a ela se volta com o serviço de catequizar.

O catequista: é discípulo-missionário por dentro até o seu DNA, até dentro de sua medula.

- O catequista assume em seu viver o Cristo: Gálatas: Já não sou eu que vivo... é Cristo que vive em mim.

- O catequista é uma pessoa de fé, de esperança e de caridade

- O catequista acredita, assume, vive e catequiza.

- O catequista espelha-se em São Paulo: o grande missionário que EXPANDIU a Igreja além das fronteiras de Israel.

- O catequista aprende com Maria a fazer a vontade de Deus e a se tornar escrava do Senhor Jesus.

- O catequista alimenta-se da Palavra e da Eucaristia por convicção, devoção, como base e cume de sua caminhada na Igreja a serviço do povo de Deus, para agradar a Deus.

 

Pe. Geraldo Ildeo Franco

26/06/2016