O Juízo: duas faces da mesma moeda

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Muito mais do que constituir-se como saber e consenso filosófico, o princípio de Justiça é lei universal que perpassa toda a caminhada humana. A máxima que a rege é de que o bem deve ser sempre premiado e o mal sempre punido.  E quem atesta isso por primeiro não são os códigos de ética ou as religiões, mas sim a própria consciência e inteligência humanas. Porém, isso não implica a liberdade de dispararmos julgamentos aleatórios ou nos colocarmos como paladinos da ética e arautos da moral uns para com os outros, apontando dedos, repelindo e excluindo quem quer que seja. Podemos e devemos advertir, aconselhar e apontar o caminho certo e reto às pessoas assim como fez Cristo e, seguindo seus ensinamentos, faz a Igreja, portadora da Mensagem da Boa Nova.

Somente a Deus e a seu Cristo sob a iluminação do Espírito Santo compete o julgamento de todos nós. Neste aspecto já nos está apontando a parábola do joio e do trigo:“Deixem que cresçam juntos até à colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro."(cfMt 13,24-30). Isso porque nenhum juízo humano atinge a realidade última das coisas e situações: somente Cristo revelará o íntimo das coisas e das pessoas: “Quanto a mim, muito pouco se me dá de ser julgado por vós ou por qualquer tribunal humano, pois nem a mim mesmo me julgo. Certo que de nada me acusa a consciência, mas nem por isso me creio justificado; quem me julga é o Senhor. Também vós, pois, não julgueis antes do tempo, enquanto não vier o Senhor, que iluminará os esconderijos das trevas e tornará manifestos os propósitos dos corações, e então cada um terá o louvor de Deus” (1Cor 4,3-5).

Segundo a nossa fé católica e estudos escatológicos, existem o Juízo Particular e o Juízo Final. Todavia, não pensem ser esses dois juízos independentes pois não são. Na verdade, são dois estágios-momentos de um mesmo julgamento, duas faces de uma mesma moeda.Simplesmente o separamos por razões didáticas para melhor compreensão. Cada um de nós comparecerá diante do tribunal de Cristo (cf. Rm 14,10) e haverá de responder por si. No Juízo Particular, a partir da morte, somos retribuídos imediatamente em relação a nossa Fé e obras. Receberemos “O Céu, o Inferno ou o Purgatório”.

Por outro lado, o juízo acontece a cada dia, na nossa atitude de acolhimento ou rejeição de Deus em Jesus Cristo presente no irmão (cf. Jo 3,18; 3,36; 5,24; Mt 25,31s), pois o Pai deu ao Filho ressuscitado todo o poder de julgar: “O Pai não julga ninguém mas entregou ao Filho todo o poder de julgar” (Jo 5,22). Este julgamento já começou, na potência do Espírito Santo, Espírito do Cristo ressuscitado, pois o Espírito vai mostrando ao coração daqueles que o acolhem que Cristo é o Salvador do mundo e que o mundo pecou ao rejeitá-lo: “Quando ele (o Espírito Santo) vier, convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao julgamento. Convencerá quanto ao pecado, porque não creram em mim, quanto à justiça, porque vou para o Pai e já não me vereis; e quanto ao julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado” (Jo 16,8-10). Por isso, dissemos que o Juízo tem uma dimensão trinitária: o Pai entregou ao Filho o julgamento, que se dará na luz e na potência do Espírito Santo!

Enfim, em poucas palavras podemos dizer que, quando morremos - Juízo Particular - é a verdade da minha vida que aparece. No Juízo Final tudo quanto fui e fiz aparecerá dentro do contexto de toda a humanidade. Assim, somos convidados a dosar desde já nossas atitudes em relação aos nossos irmãos e a nossa Casa Comum - a mãe natureza - e procurar sermos cristãos mais autênticos, cidadãos mais éticos e coautores de uma sociedade mais justa e fraterna.


Por Alef Cesar Augustinho - CICM