O INFERNO – Frustração total do homem

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

No Primeiro Testamento, numa linguagem figurada, aparece claramente o destino negativo dos pecadores. Por exemplo: “Ao sair, poderão contemplar os corpos dos homens que se revoltaram contra mim; pois o seu verme não morre, e seu fogo não se apaga; eles serão objeto de abominação para todos os mortais” (Is 66,4). O livro de Daniel fala claramente do opróbrio – desonra - e horror eterno no final dos tempos: “Muitos dos que dormem na terra poeirenta, despertarão; uns para a vida eterna, outros para vergonha, para abominação eterna” (12,2). Também o livro da Sabedoria fala, em diversas passagens, do destino dos ímpios: “Sim, a esperança do ímpio é como palha levada pelo vento, como a espuma tênue que a tempestade espalha. Ela se dissipa como a fumaça ao vento, e se apaga como a lembrança do hóspede de um dia” (5,14-23). “Os ímpios receberão o castigo devido por seus pensamentos, pois desprezaram o justo e se afastaram do Senhor” (3,10). “Em breve tornar-se-ão cadáver sem honra, objeto de opróbrio para sempre entre os mortos: o Senhor os precipitará de cabeça para baixo, sem que digam palavra, e os arrancará de seus fundamentos. Serão completamente destruídos, estarão na dor e sua memória perecerá. Virão cheios de medo, quando se fizer a conta de seus pecados; suas iniquidades se levantarão contra eles para os acusar” (4,19s).

Já no Segundo Testamento, o inferno é, fundamentalmente, a imagem invertida da Glória, a eventual frustração daquilo que Deus sonhou para o homem. Este estado de morte é tão definitivo e irrevogável quanto é o de vida: é eterno, tanto quanto a felicidade do céu! Ou seja: como o céu, o inferno é para sempre! O Apocalipse fala de um tormento que dura eternamente: “E a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos. Não terão repouso dia e noite aqueles que adoram a besta – o pecado, o mal - e sua imagem e quem quer que receba a marca de seu nome” (14,11s).

Ainda usando de seu recurso metafórico, a Bíblia associa o inferno a expressões físicas tais como fogo inextinguível (cf. Mc 9,43.48); forno de fogo (cf. Mt 13,50); pranto e ranger de dentes (cf. Mt 13,42);lago de fogo e enxofre (cf. Ap 19,20),verme que não morre (cf. Mc 9,48).  Repare que a marca do fogo é usada em muitos eventos bíblicos para representar tanto expiação, purificação e comunicação como também divindade; sentido negativo e positivo.

Podemos concluir, então, que o inferno não é lugar físico, mas sim um modo de condenação eterna para os que, livre e conscientemente, aqui na terra, quiseram negar a verdade e os dons de Deus; escolheram o pecado, a violência, não seguiram os mandamentos, principalmente a caridade.É separação eterna de Deus, é a negação de toda a felicidade do céu, é a frustração radical do homem. Não é criação de Deus, mas fruto do mal-uso da liberdade das criaturas.“Os ímpios receberão o castigo devido por seus pensamentos, pois desprezaram o justo e se afastaram do Senhor”(Sb 3,10).Deus não quer condenar ninguém ao inferno pois Ele é Amor, mas ao nos fecharmos em nosso egoísmo e prepotência, nós também nos fechamos a Sua Graça Misericordiosa e a possibilidade do Céu.

 

Por Alef Cesar Augustinho - CICM