O Espírito Santo no Evangelho de Lucas.

Por: Prof. Dr. Carlos Frederico Schlaepfer

Uma das características marcantes na obra de Lucas é a presença do Espírito Santo. Tanto o Evangelho quanto os Atos estão repletos de notícias sobre sua ação. Vejamos onde e em que circunstâncias o Espírito Santo age no Evangelho de Lucas…

Os primeiros capítulos apresentam de modo marcante a ação do Espírito Santo: 1,15: Sua presença com João Batista é prometida a Zacarias;

1,35: O anjo Gabriel anuncia a Maria o nascimento de Jesus que somente será possível através do Espírito Santo;

1,41: Isabel cheia do Espírito Santo saúda Maria;

1,67: Zacarias profetiza através do Espírito Santo;

2,25-27: Simeão vai ao Templo movido pelo Espírito Santo;

3,16: João anuncia o Batismo no Espírito Santo através de Jesus;

3,22: O Espírito Santo em forma corpórea desce sobre Jesus no Batismo;

4,1: Jesus cheio do Espírito Santo é levado para o deserto;

4,14: Jesus é levado para a Galiléia pelo Espírito Santo;

4,18: Na Sinagoga, Jesus anuncia a sua missão pela força do Espírito Santo;

23,46: Jesus entrega seu Espírito a Deus antes de morrer;

24,49: Promessa de Jesus sobre a presença do Espírito Santo junto aos discípulos.

Como podemos observar, no início do Evangelho a presença do Espírito Santo é intensa. A partir do anúncio da missão de Jesus em Nazaré, Lucas não fala mais sobre a presença do Espírito Santo, somente no final, mesmo assim como promessa aos discípulos. Se olharmos para o livro dos Atos, vemos que novamente aparece a ação do Espírito Santo. O que será que Lucas quer mostrar com isto? Na verdade, Jesus possui e está possuído pelo Espírito Santo. Sua ação é a própria ação do Espírito Santo. Daí a presença marcante no início, desaparecendo exatamente quando Jesus começa o seu ministério público, isto é, quando Jesus inicia a Boa Nova através de sua ação e pregação. Somente na hora da morte de Jesus se voltará a ouvir falar sobre o Espírito Santo, como Espírito de Jesus que volta ao Pai. Depois vem a promessa do Espírito Santo junto aos discípulos.

É interessante notar que a ação do Espírito Santo no início do Evangelho, se dá sempre junto aos pobres e excluídos da época (estéril, velhos, mulheres): Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, Maria, João e o próprio Jesus. Esta presença do Espírito junto aos pobres, somente é compreendida a partir dos pobres de Javé, isto é, os pobres com quem Javé conta para realizar o seu projeto de amor. Esta característica encontramos também com Jesus. Aliás, é primeiramente aos pobres que ele vem evangelizar. Também são dirigidas aos pobres, considerados bem aventurados, a promessa do Reino de Deus.

No Evangelho de Lucas portanto, a presença do Espírito Santo se dá como preparação da chegada de Jesus. Muitos anunciam, profetizam, louvam sempre inspirados por sua força e presença. Da mesma forma, no livro dos Atos é o Espírito Santo novamente quem vai animar os discípulos e comunidade a levar adiante a Boa Nova de Jesus. O Espírito anima a missão. Com Jesus a missão acontece. A Boa Nova se torna realidade: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para anunciar aos aprisionados a libertação, aos cegos a recuperação da vista, para por em liberdade os oprimidos, e para anunciar um ano de graça do Senhor”(LC 4,18-19). Esta dimensão missionária, voltada para os pobres, cativos, marginalizados não pode nem deve ser esquecida. De nada adianta louvar ou orar ao Espírito Santo se não nos colocamos nesta sua real dimensão. Deixar o Espírito agir, neste sentido, é colocar-se à disposição, a serviço do Reino de Deus.

 

 

 

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