O PURGATÓRIO - A sala de espera

PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

ÁGUAS, BELA VISTA, CARIRU, CASTELO, VILA IPANEMA - IPATINGA / MG.

O Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus

 

 

 

 

Antes de mais nada, vale lembrar que não há, na Bíblia, uma passagem falando sobre o purgatório, nem tampouco existe esta palavra “purgatório”. Isso inclusive serve de subterfúgio de religiões protestantes para a negação deste Estado Intermediário. Entretanto, façamos nosso caminho hermenêutico-exegético de interpretação das Escrituras e vejamos bem o seguinte:

No Primeiro Testamento aparece uma constante convicção que somente uma absoluta pureza é digna de ser admitida à visão de Deus; nada de impuro pode estar diante dele: “Tendo Moisés transmitido ao Senhor a resposta do povo, o Senhor lhe disse: Vai ter com o povo e o santifica, hoje e amanhã. Eles devem lavar as vestes, e estar prontos para o terceiro dia, pois no terceiro dia o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre a montanha do Sinai. O povo todo presenciou os trovões, os relâmpagos, o som da trombeta e a montanha fumegando. À vista disso, o povo permaneceu ao longe, tremendo de pavor. Disseram a Moisés: “Fala-nos tu, e te escutaremos. Mas que não nos fale Deus, do contrário morreremos’” (Ex 19,10s; 20,18s). “Ai de mim! Estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de lábios impuros, e meus olhos viram o rei, o Senhor Todo-poderoso” (Is 6,5). “Lá haverá um caminho; chamar-se-á Caminho Santo. Nenhum impuro passará por ele; os insensatos não errarão nele” (Is 35,8).

Também o Segundo Testamento tem esta mesma convicção: Jesus afirma que os puros de coração verão a Deus (cf. Mt 5,8) e o Apocalipse diz que nada profano entrará na nova Jerusalém (cf. 21,27).“Os olhos eram como chamas de fogo. Os pés, semelhantes ao bronze incandescente no forno, e a voz, como a voz de muitas águas” (Ap 1,14b-15 cf. Dn 10,6).Para aqueles que não puderam se purificar antes da morte ou pelo martírio, haverá um “fogo purificador”, fogo purgatório. Assim sendo, podemos usar da analogia de uma sala de espera para descrever este estado purificador, pois são comtemplados com este estado os que morrem na amizade - comunhão com Deus, estão certos de sua salvação e de que receberão o Céu, porém possuem a necessidade de purificação para entrar na Bem-aventurança celeste. Um detalhe importante é que o purgatório não é segunda chance, depois da morte não cabe mais arrependimento, o que está feito está feito.

Nesse sentido, há também as Orações de Sufrágio, reconhecidas e atestadas pela Igreja como nossa ajuda para as almas do purgatório em seu estágio de purificação, seja pela nossa oferta do sacrifício da Missa ou por obras de caridade, por exemplo. Muitos não admitem essas orações, porém ela está presente na narrativa bíblico-cristã como podemos constatar na seguinte passagem em que São Paulo valida a oração pela memória de Onesíforo. “O Senhor conceda sua misericórdia à família de Onesíforo, porque muitas vezes me socorreu e não se envergonhou de minhas algemas. Pelo contrário, quando veio a Roma, procurou-me com solicitude até me encontrar. O Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia junto ao Senhor naquele Dia. Sabes melhor do que ninguém, quantos bons serviços prestou ele em Éfeso. ”(2Tm 1,16-18). 

Morrer é partir para estar com Cristo, para encontrar Aquele que “tem os olhos de fogo”, ou seja, Aquele que nos vê como somos. No nosso encontro com Ele, este fogo do seu olhar amoroso, fogo que é o próprio Espírito Santo, nos purificará: tudo aquilo que em nós foi “poeira do caminho”, aquelas pequenas coisas que ainda nos atrapalhavam e impediam que fôssemos totalmente livres, serão “queimadas”, purificadas no abraço final que Cristo nos dará! Concluímos, então, queo purgatório não é um lugar, nem está entre o céu e o inferno! O purgatório é a purificação que recebemos logo após a nossa morte, quando o abraço amoroso e misericordioso de Cristo nos envolve no fogo do seu amor! A gente passa pelo purgatório logo após a morte; o purgatório é para quem escolheu o Cristo, viveu com ele, mas ainda tinha as pequenas incoerências de cada dia!

 

Por Alef Cesar Augustinho - CICM