25/03 Notícias da Igreja Dom Joel Amado: “Compactuar com a guerra é matar em nós o que há de mais humano”
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No dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor, o Brasil inteiro pôde estar conectado pela TV, pelo rádio e pela internet para pedir pela paz. Atendendo ao convite do Papa Francisco para a Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sediou, na manhã desta sexta-feira, 25 de março, a celebração eucarística com a intenção inspirada pelo pedido do pontífice.

A missa foi presidida pelo bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, direto da capela Nossa Senhora Aparecida e transmitida por TVs e rádios de inspiração católica, bem como pelas redes sociais na internet.

Em sua homilia, dom Joel  exortou que “a guerra não é humana”. E continuou: “a guerra desumaniza todos nós, a guerra nos atinge, porque todas as vezes que nós aceitamos a guerra como solução, todas as vezes que nós pactuamos com a guerra, todas as vezes que nós pregamos a guerra não apenas as vítimas que direta, imediata e fisicamente haverão de sucumbir”.  

“Compactuar com a guerra é matar em nós o que há de mais humano, o que há de mais divino que é o sonho de paz, o sonho de comunhão e de fraternidade”. 

Cristo é a nossa paz

Dom Joel Amado recordou que a solenidade celebrada hoje aponta para o Natal, ocasião em que os cristãos vão cantar “Glória a Deus e paz na terra a toda a humanidade”. O bispo relacionou com a carta de São Paulo aos Efésios, na qual o apóstolo ensina que “Cristo é a nossa paz”. Ao fazer um só povo daquilo que era dividido, Jesus “gerou comunhão, gerou fraternidade, ultrapassou barreiras e, com isso, paz e fraternidade se tornam as razões para nossa oração e o nosso desejo e o empenho”. 

A guerra nunca se justifica

Dom Joel recordou o convite do Papa Francisco para oração e reflexão pela paz, e também sobre a tristeza e a vergonha que a guerra e suas consequências trazem para a humanidade.

“A guerra nunca se justifica, a guerra nunca tem razão de ser, exceto pelo pecado no meio de nós”, ressaltou, contrapondo ao sonho de paz contido no projeto de Deus.

“O sonho do céu, o sonho plantado no coração de cada um de nós, o sonho que o Criador deixou dentro de nós, o sonho que o Redentor nos purificou para ele, o sonho que o Espírito Santo nos santifica para isso, é um sonho de paz. E a paz não se alcança pelo poder das armas”.

No diálogo, a paz se realiza

Voltando-se para o Evangelho desta sexta-feira, dom Joel explica que a passagem apresenta “um momento da bonita presença de Deus no meio de nós, de um processo amoroso de proximidade, de visita, de comunhão, em que Deus se faz um nós em tudo, exceto no pecado”.  

Na conversa do anjo com Maria, Deus se coloca em diálogo e, segundo dom Joel, mostra ao ser humano “que é naquilo que nós chamamos visita, conversa, diálogo que a paz se realiza, que a paz se concretiza”.  

 “O filho do homem, o filho de Deus veio ser homem no meio de nós não numa ação de imposição, mas num convite, num anúncio que foi aceito por Maria apesar de não compreender também tudo o que estava acontecendo. […] Quando o Filho de Deus era aceito, o Cristo era acolhido no seio de Maria, o anjo cumpriu sua missão e a paz dava mais um passo para ficar sobre a terra”.

 A partir desse exemplo, o secretário-geral da CNBB recorda a atitude do Papa Francisco em oferecer a Igreja como interlocutora entre os países para uma saída para a paz. Dom Joel ainda lembrou dos pronunciamentos e do envio de cardeais para estarem próximos à população afetada. 

“O papa vai a cada dia produzindo os gestos muito significativos para mostrar a desumanidade da guerra e por onde passa o caminho da paz.”  

Oração

Para o dia de hoje, todo o povo católico é convidado a dedicar momentos para oração, a partir do convite do Papa Francisco, na consagração da humanidade ao Imaculado Coração de Maria. Dom Joel salienta o desejo do Papa a parar e rezar e refletir que, “apesar de todo o empenho de paz que o céu tem sobre nós, o pecado acaba, muitas vezes, se manifestando de uma forma triste e vergonhosa como é o caso da guerra, em meio a tantas outras formas tristes e vergonhosas”. 

Dom Joel ressaltou ainda que o Imaculado Coração de Maria soube acolher a visita, soube estabelecer comunhão, e não temeu apresentar suas dúvidas e inseguranças. A este Imaculado Coração, à Virgem Maria do Imaculado Coração, o pedido: “interceda por nós para que, no nosso coração, de algum modo, não se deixe jamais contaminar por qualquer forma de violência, por qualquer forma de guerra. Se a guerra não se justifica em hipótese alguma, a paz sempre se justifica”.  

CNBB

Fotos: Manuela Castro/CNBB