15/07 Notícias da Igreja Observatório Astronômico do Papa: gratidão diante da Criação e capacidades da ciência
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As imagens coloridas transmitidas pelo telescópio James Webb são “um alimento necessário para o espírito humano; não se vive só de pão, especialmente nestes tempos”. Assim escreve o Irmão Consolmagno, diretor da Specola Vaticana, o Observatório Astronômico do Papa, um dos institutos mais antigos do mundo. A alegria do cientista após a divulgação das primeiras fotos: não só lógica no universo, mas também beleza.

“Estamos realmente entusiasmados com as novas imagens do telescópio James Webb!”, declarou o Irmão Guy Jpseph Consolmagno, diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, em comunicado desta quarta-feira (13) a respeito das fotos de um universo nunca antes visto que chegou à Terra em 12 de julho e que os estudiosos datam de 14 bilhões de anos atrás. “As imagens são impressionantes, qualquer um pode perceber sozinho”, continua ele: “é uma antecipação tentadora do que poderemos aprender sobre o universo com este telescópio no futuro. Estas imagens são um alimento necessário para o espírito humano – não se vive só de pão – sobretudo nestes tempos”.

Há lógica no universo, mas também beleza

O jesuíta também diz estar “feliz com este sucesso também por um fato mais pessoal”. Ele explica que, como a astronomia é um pequeno campo de pesquisa, os astrônomos se conhecem entre si e “muitos dos cientistas que construíram os instrumentos e planejaram as observações” são amigos pessoais dele e sabe o quanto eles e seus colegas trabalharam duro para fazer “esta incrível máquina” funcionar.

“A ciência na qual este telescópio se baseia”, diz a declaração de Irmão Consolmagno, “é a nossa tentativa de usar a nossa inteligência, dada por Deus, para entender a lógica do universo. O universo não funcionaria se não tivesse esta lógica. Mas, como mostram estas imagens, o universo não é apenas lógico, é também bonito. Essa é a criação de Deus revelada a nós, e nela podemos ver tanto o Seu incrível poder quanto o Seu amor pela beleza”.

As primeiras pesquisas do jesuíta Angelo Secchi

O diretor se diz maravilhado e grato por tal beleza ter sido entregue por Deus a nós, seres humanos, juntamente com a capacidade de “compreender o que Ele fez”. E cita o Salmo 8, que diz:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;
Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?
Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste”.

O que fascinou particularmente o cientista jesuíta foi “ver o primeiro espectro de vapor de água da atmosfera de um planeta extra-solar produzido pelo telescópio James Webb”, relembrando a pesquisa inicial de outro estudioso astronômico jesuíta: “faz cerca de 150 anos que o Padre Angelo Secchi colocou um prisma diante da lente do seu telescópio no telhado da Igreja de Santo Inácio em Roma, e fez as primeiras medições espectrais das atmosferas dos planetas em nosso próprio sistema solar. Só posso imaginar”, conclui ele, “como ele teria ficado feliz em ver como esta ciência, da qual foi pioneiro, está agora sendo aplicada a planetas desconhecidos para ele em órbita ao redor de estrelas distantes”.

O telescópio Webb

O telescópio James Webb é um telescópio espacial para astronomia por raios infravermelhos, uma colaboração entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a agência espacial canadense (CSA). Foi lançado em 25 de dezembro de 2021 do porto espacial Arianespace em Kourou, na Guiana Francesa, e transportado para a órbita solar pelo foguete Ariane 5. “É um dia histórico”, disse o presidente dos EUA, Joe Bide,n na apresentação das primeiras imagens tiradas pelo instrumento. Imagens que são um “primeiro gostinho”, disse ele.

Vatican News
Imagem capa: Uma imagem em cores proveniente do telescópio James Webb da NASA (Public)