18/03 Notícias da Igreja Pezzi: consagrar a Rússia e a Ucrânia a Maria significa redescobrir-se construtores de paz
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O arcebispo da arquidiocese da Mãe de Deus em Moscou comenta a decisão do Papa Francisco de consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria: é um convite à conversão a Cristo e a reencontrar a esperança e a paz.

Na sexta-feira 25 de março, durante a celebração da Penitência que presidirá às 17h (hora de Roma) na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco consagrará a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. Ao Vatican News, o arcebispo da arquidiocese da Mãe de Deus em Moscou, dom Paolo Pezzi, enfatiza que este ato de consagração é um convite para acender a chama da esperança em um momento escuro. O significado desta consagração, acrescenta dom Pezzi, é “converter nossos corações a Cristo”.

O Papa decidiu colocar tudo nas mãos de Maria. O que significa esta entrega a Nossa Senhora?

É um período sombrio. O que é necessário quando há escuridão? Precisamos de luzes, nem que seja de pequenas chamas. A consagração é um convite para acender esta chama de esperança que nunca se extinguiu em nossos corações, que nunca se extinguiu. Este é também o significado de que o Papa pode, com liberdade e com força, dirigir-se a toda a Igreja e pedir, em particular, que estas chamas de esperança sejam reacendidas nos povos da Rússia e da Ucrânia.

Como foi acolhido pelos católicos este desejo do Papa de consagrar a Ucrânia e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria?

Foi recebido com grande entusiasmo. Na Rússia, a consagração ao Coração de Maria é muito sentida entre os católicos. Eu mesmo, há alguns anos, durante um ano mariano, renovei a consagração de nossa diocese ao Imaculado Coração de Maria. Portanto, devo dizer que este convite foi verdadeiramente recebido como um gesto de apoio à nossa esperança e, diria também, como um gesto que despertou ou que quer despertar nosso desejo de sermos efetivos construtores de paz através desta consagração.

Qual é o sentido e o significado deste ato que Francisco realizará em 25 de março em Roma, enquanto o cardeal Krajewski fará o mesmo em Fátima?

Acho que tenha um significado muito simbólico e exortativo. Entretanto, parece-me significativo, por si só, que o Papa tenha escolhido fazer esta consagração tanto em Roma como em Fátima. Sabemos muito bem que na quarta mensagem, a de julho de 1917, Maria falou explicitamente sobre a conversão da Rússia. O significado desta consagração é precisamente o de converter nossos corações a Cristo, de voltar a dar lugar a Cristo em nossas vidas. Cristo é o Príncipe da Paz, Aquele que – como disse São Paulo – reuniu os povos divididos, reuniu-os em si mesmo. E sabemos que o Imaculado Coração de Maria é exatamente o modo como Nossa Senhora participa desses sofrimentos de Cristo que continuam a viver onde não há paz, onde não há amizade entre os homens. Em certo sentido, é como o desejo de entregar esses povos, em particular, ao que há de mais íntimo na Virgem e como espelho da Trindade – poderíamos dizer – no próprio coração de Deus. É como um convite a sermos, também nós, apanhados por este ímã de amor que é a cruz.

Portanto, dar espaço a Cristo em nossas vidas e dar espaço a Cristo neste tempo tão sombrio. Seu apelo aos governantes da Rússia e da Ucrânia.

Meu apelo pode ser o apelo lançado pelo Papa Francisco. Eu não gostaria de acrescentar nada além do que João Paulo II disse ao mundo inteiro e em particular aos governantes: “Não tenham medo de Cristo”. Parafraseando, poderíamos dizer que com Cristo tudo é possível, sem Cristo nada é possível. Portanto, não tenhamos medo, especialmente aqueles que têm mais responsabilidade. Não tenhamos medo de Cristo, Ele não nos julga, Ele apenas nos convida a fazer tudo para que Ele possa estar no centro das relações entre os homens.

Deus sempre perdoa, Jesus está sempre pronto para acolher os artesãos de paz…

Isto nunca deve ser esquecido. O Papa Francisco disse em uma recente entrevista na televisão que o perdão é um direito de todo homem. Penso que isto não é apenas verdade, mas talvez seja o que mais nos choca; nós não estamos tão prontos e, portanto, devemos nos converter para que o perdão seja a primeira palavra. Cristo ama talvez mais do que todos os construtores de paz porque o construtor de paz é aquele que vive deste perdão: ele precisa deste perdão e está preparado para oferecê-lo sem limites a qualquer outra pessoa.

Amedeo Lomonaco – Vatican News
Imagem capa: Papa Francisco diante da imagem de Nossa Senhora de Montserrat (Vatican Media)