05/08 Notícias da Igreja Roma, com o Fundo do Papa, 2.500 pessoas ajudadas a sair da pobreza e solidão
Compartilhar

Apresentados na sede do Vicariato de Roma os resultados do ‘Fondo Gesù Divino Lavoratore’, desejado por Francisco para aqueles afetados pela crise causada pela pandemia: uma ‘Aliança para Roma’ de Igreja e instituições. Dom Palmieri: “Não alimentar trabalho pouco transparente”.

O objetivo, baseado na intuição e instruções do Papa, era ajudar aqueles que “perderam tudo” por causa da Covid a obter subsídios, apoio à renda e reintegração no mundo do trabalho. Mas o “efeito colateral” tem sido um trabalho capilar de escuta e proximidade, por parte da Igreja, mas também das instituições, para tirar muitas pessoas do abismo da solidão em que o “lockdown” e outras medidas restritivas as empurraram. E talvez este seja o primeiro e mais importante resultado do “Fondo Gesù Divino Lavoratore”, uma iniciativa desejada pelo Pontífice para apoiar todos aqueles afetados pela crise econômica causada pela pandemia.

Os resultados, um ano após seu lançamento, foram apresentados nesta quarta-feira (04/08) em uma coletiva na Sala dos Imperadores do Vicariato de Roma, pelo vice-gerente arcebispo Gianpiero Palmieri, pela prefeita de Roma Virginia Raggi e pelo presidente da Região do Lácio Nicola Zingaretti, introduzidos pelo bispo Dom Benoni Ambarus, conhecido por todos como “Don Ben”, apreciado ex-diretor da Cáritas diocesana, que falou de uma “bela aventura”, um sinal de “profecia” e “testemunho”.

Raggi: não permitir que a usura e a criminalidade ofereçam respostas

A prefeita Raggi, por outro lado, chamou-o de “um exemplo de resiliência”: “Ao inventar este instrumento, graças a uma intuição do Santo Padre, juntos, como uma equipe, criamos uma almofada, um paraquedas, para reagir a um choque inesperado. Fomos resilientes e pudemos apoiar nossa comunidade”. Raggi olhou para o passado, para a longa história de “solidariedade” e “generosidade” que distingue Roma desde os tempos antigos, depois voltou seu olhar para o futuro, exortando a continuar neste caminho de solidariedade porque “os efeitos da pandemia não terminaram”: “Devemos pensar que esta fotografia não é um instantâneo, mas um fato estrutural”.

Zingaretti: a solidão mata as pessoas

A fim de alcançar esses grupos sociais “invisíveis”, tentamos chegar o máximo possível aos cinco quadrantes de Roma, envolvendo mais de 400 voluntários, trabalhando em 75 postos territoriais distribuídos por toda a capital. “Esta meticulosidade e atenção à escuta fez a diferença neste tipo de intervenção”. Sabemos quantas pessoas são hospitalizadas, quantos pacientes estão em terapia intensiva, mas pouco sabemos sobre as muitas pessoas que experimentaram um distanciamento da vida social e produtiva, da vida emocional, familiar e comunitária. O vírus mata o corpo, mas a solidão também mata”. O bem da pessoa tem sido e continuará sendo o objetivo “primário e precioso” da Aliança para Roma, que além de vales de compras, pacotes de alimentos e fundos anti-usura, visa o “valor agregado da presença para tomar pela mão as pessoas solitárias e trazê-las de volta à plena cidadania”, assegurou o Presidente da Região do Lácio. E ele pediu um esforço maior em vista do Jubileu de 2025: “O Jubileu de Roma não pode acolher peregrinos de todo o mundo com estes índices de pobreza e dificuldades”.

Caminhando com as próprias pernas

Um dos maiores problemas de nossa cidade”, confirmou o arcebispo Palmieri a este respeito, “é a insegurança no trabalho: há muitas pessoas que são exploradas em termos de trabalho e têm que ganhar seu pão por algum meio. Não devemos cultivar o trabalho pouco transparente e mal remunerado. Como sociedade e como Igreja, podemos porduzir um impacto e fazer pequenos gestos de esperança. Ninguém é tão pobre que não possa fazer nada”. O importante, acrescentou o vice-gerente, “é não confundir caridade com esmola”. Os pobres não precisam de migalhas ou o do que sobra, mas de não se sentirem como um fardo para a sociedade”. É por isso que as diversas atividades do Fundo também incluem estágios e cursos de acompanhamento para que os beneficiários não só possam ser beneficiários de ajuda, mas também possam começar a caminhar sobre seus próprios pés.

“Don Ben”: louvamos a força das mulheres

Finalmente, dom Ambarus, concluindo a apresentação, elogiou a força de todas as mulheres que, no auge da pandemia, foram as primeiras a se moverem para ajudar as famílias. “Que grande força as mulheres revelaram durante este período! Vimos mães que faziam fila nos empórios para cuidar de seus filhos, mesmo à custa de olhar para baixo com vergonha. Mas elas estavam lá para defender o sistema familiar. A verdadeira força das famílias não é a renda, que muitas vezes é masculina, mas a força moral motriz das mulheres”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News
Imagem Capa: Pixabay